Vice-prefeito de Bariri esclarece porque a Confecções Kezo não produziu os uniformes escolares e atualiza situação após devolução por má qualidade

Vice-prefeito de Bariri esclarece porque a Confecções Kezo não produziu os uniformes escolares e atualiza situação após devolução por má qualidade

Depois do anúncio que a Prefeitura Municipal de Bariri iria devolver a remessa de uniformes escolares e notificar a empresa responsável pela licitação, muitos internautas questionaram o porquê de as peças não terem sido produzidas na própria cidade, que possui empresas do ramo com garantia de excelência em qualidade – como a Confecções Kezo, de propriedade do vice-prefeito Paulo Andreoli, o Paulo Kezo.

Conforme nota emitida na manhã de quarta-feira passada (11), a quarta empresa colocada na licitação, Ana Lu Confecções LTDA., de Votuporanga-SP, entregou peças de qualidade insatisfatória.

“Os uniformes apresentaram diversos problemas, entre eles: peças com medidas inferiores às especificadas no descritivo, divergências nas estampas, punhos de gola em desacordo com as especificações técnicas de costura e diferença de tonalidade de tecido entre o corpo e as mangas. Além disso, foram identificadas peças com manchas e defeitos de costura, como partes descosturadas. Ressalto que os principais problemas estiveram relacionados à qualidade da costura e das estampas, e não propriamente à malha utilizada”, explica Paulo Kezo.

Respondendo a indagação de diversos munícipes, que sugeriram que a empresa do vice-prefeito poderia ter confeccionado as peças, Kezo lembrou dos impedimentos legais de alguém ligado ao Executivo local entrar em um processo licitatório.

“Atualmente, há um impedimento legal e ético para que a minha empresa participe de licitações no município de Bariri, em razão de eu exercer o cargo de vice-prefeito. Essa restrição existe justamente para garantir a transparência e evitar qualquer conflito de interesses na administração pública. Tenho plena ciência dessa condição desde antes de me candidatar ao cargo, e entendo que se trata de uma medida correta, pois não seria adequado que uma empresa de minha propriedade prestasse serviços ou vendesse produtos para a Prefeitura durante o exercício do meu mandato”.

Outra dúvida da população foi porque a empresa Ana Lu, quarta colocada no certame, acabou sendo escolhida. Kezo ressalva que as primeiras colocadas não cumpriram exigências previstas no edital – o que gerou a desclassificação.

“Não sou especialista em licitações, mas, com base nas experiências que já tive acompanhando processos, as empresas participantes precisam cumprir uma série de exigências, que vão desde a apresentação da documentação até o envio de amostras para avaliação. Pelas informações que tive, algumas empresas não encaminharam as amostras, enquanto outras as enviaram fora do prazo estabelecido no edital. Diante disso, o processo avançou até a empresa Ana Lu, que atendeu a todas as exigências documentais e apresentou as amostras dentro do prazo, as quais foram avaliadas e aprovadas pelo setor de Educação. No entanto, no momento da entrega dos uniformes, foi constatado que os produtos estavam diferentes das amostras apresentadas, não atendendo às exigências previstas no edital, especialmente no que se refere à qualidade”, diz o vice-prefeito.

Por fim, Paulo Kezo atualiza a situação, após a notificação da administração enviada a empresa, prevendo um prazo aproximado de 40 dias caso para Ana Lu Confecções enviar uma nova remessa de uniformes com a qualidade adequada.

“Recebemos o proprietário da empresa, Rodrigo, na última terça-feira (17), ocasião em que foram apresentados, de forma detalhada, todos os problemas identificados nos uniformes. Na oportunidade, ele solicitou um prazo de 30 dias para realizar a substituição das peças. Esse pedido está sendo analisado pela administração, que irá avaliar a melhor solução, sempre priorizando o interesse público e a qualidade dos uniformes a serem entregues. Caso a empresa Ana Lu realize, de fato, a substituição dos uniformes conforme solicitado, a estimativa é de que a situação seja resolvida em aproximadamente 40 dias”.

Por outro lado, caso a empresa opte por não refazer os itens do edital, o vice-prefeito ressalta que será necessário iniciar um novo processo licitatório. Se esta medida ocorrer, a licitação volta à estaca zero e a previsão para conclusão e entrega dos uniformes será de cerca de 70 dias, considerando que todas as etapas ocorram dentro da normalidade.

“Cabe destacar que o cenário atual também exige atenção, pois fatores externos, como oscilações no mercado internacional — incluindo impactos relacionados a conflitos e ao aumento do preço do petróleo — já começam a refletir no setor têxtil. Isso pode influenciar diretamente no custo e na disponibilidade de matéria-prima, uma vez que grande parte dos fios utilizados na produção de malhas é importada”, conclui Paulo Kezo.

O valor total do investimento previsto é de R$ 145.730,34. Cada estudante da Rede Municipal de Ensino deve receber três peças de uniforme.