Creche Rachel: Vereadores expõem crianças sem banho por desabastecimento hídrico, caixa d’água de amianto e risco em obra inacabada; Diretoras de Educação e Obras garantem higiene e segurança dos alunos

Creche Rachel: Vereadores expõem crianças sem banho por desabastecimento hídrico, caixa d’água de amianto e risco em obra inacabada; Diretoras de Educação e Obras garantem higiene e segurança dos alunos

Requerimento assinado pelo vereador Leandro Gonzalez sobre as condições da Creche Rachel de Queiroz, localizada no Jardim Industrial, foi o principal destaque da sessão ordinária desta terça-feira (16). O parlamentar cita “graves irregularidades relacionadas ao desabastecimento de água por falta de higiene básica e a riscos estruturais graves à integridade física das crianças e servidores”.

Segundo Leandro, a denúncia foi feita por um(a) servidor(a) municipal que preferiu não se identificar, por medo de represálias. Ao tomar conhecimento da denúncia, o vereador realizou visita fiscalizatória in loco quarta-feira-passada (10).

“Em primeiro lugar, constatou-se que a creche está completamente desabastecida, sem água há mais de uma semana. O motivo de tamanha gravidade é inadmissível: a caixa d'água encontrava-se extremamente suja e repleta de bichos, inviabilizando totalmente o consumo humano e a higiene do local. Em decorrência dessa omissão, as crianças que frequentam a unidade estão há dias sem poder tomar banho, comprometendo o bem-estar e a saúde pública no ambiente escolar. É necessário tecer duras críticas à administração e aos setores responsáveis, visto que a limpeza e manutenção de uma caixa d'água são procedimentos extremamente simples, rotineiros e de baixo custo, cuja negligência revela uma falha inaceitável de gestão e planejamento básico de zeladoria”, diz o requerimento”.

Na sequência, o vereador afirma que a unidade escolar passou por obras recentes de reforma, mas que os serviços foram deixados inacabados ou mal executados em um ponto crítico do terreno: existe um desnível exposto em forma de barranco, desprovido de qualquer barreira de contenção, que segundo o requerimento, gera o risco iminente de desmoronamento, e ameaça à segurança das crianças que circulam pelo local. A referida obra é o trabalho de construção da nova rampa de acesso coberto, de interligação entre os prédios da unidade.

“A situação é extremamente lamentável, principalmente nesse ponto da caixa d’água estar suja, sem manutenção e as crianças há mais de duas semanas sem água para tomar banho. Estão sendo abastecidas com galão de água pra poder tomar, mas ficaram por dias sem banho. Na obra realizada, foi retirado terra do local e as crianças e professores estão correndo risco, se acontecer uma chuva pesada, o desnível vai vir abaixo; não tem nenhuma barreira de contenção”, disse o nobre.

Fazendo coro ao requerimento de Leandro, os vereadores Paulo Crepaldi, Aline Prearo, Daniel de Madureira, Rubens Pereira dos Santos, Priscila Domingues e Laudenir Leonel também demonstraram preocupação com o caso.

Priscila completou fazendo outra denúncia: que o reservatório que abastece a unidade escolar infantil é de amianto, material proibido em caixas d’águas no Brasil desde 2007.  A determinação veio do Supremo Tribunal Federal (STF), que baniu o uso do material devido aos riscos à saúde.

A mistura de amianto, que é uma fibra natural, com cimento pode causar várias doenças, inclusive o câncer, como inalada ou ingerida pelas pessoas. Em 2001, a cidade de São Paulo aprovou uma lei que proíbe a venda de material com a substância. O estado de São Paulo tomou a mesma decisão em 2007, pela Lei Estadual nº 12.684/200.

“As caixas d’água de amianto são proibidas por lei. Elas têm contaminação e, devido ao tempo de uso, soltam impurezas, por isso tem que ser feita a troca. Era para ter sido feita uma rampa de acesso entre os dois ambientes e todo o material está lá: ferragens, cimento com vencimento para o final este mês. Precisa ser feito isso o mais breve possível; é uma situação de calamidade”, reforçou Priscila.

Já Aline Prearo demonstrou preocupação também em relação aos profissionais de educação, professores e auxiliares de desenvolvimento infantil, visto que, caso a obra inacabada provoque algum acidente, automaticamente a culpa poderá recair sobre uma possível falta de cuidado das servidoras.

“Um descuido num milésimo de segundo, se uma criança cai naquele buraco, a culpa é de quem? Das ADIs que não olharam. Ninguém vai ver que elas estão com déficit de funcionários, que tem 20 crianças para olhar, se de repente uma criança escapar aos olhos. A culpa será das ADIs. Temos que pensar na segurança e no bem-estar dessas crianças, mas não podemos esquecer das ADIs. Assim como temos a preocupação com essas crianças também temos que ter com essas profissionais”, concluiu a vereadora.

 

Prefeitura de Bariri nega desabastecimento hídrico

O Noticiantes entrou em contato com a Prefeitura Municipal de Bariri, através das Diretorias Municiais de Obras e Educação, pastas comandadas por Beatriz Tonin e Cinira Mazotti, respectivamente. Em nota conjunta, os setores comentaram sobre os apontamentos dos vereadores.

“Conforme questionado, informamos que em nenhum momento a unidade foi desprovida de abastecimento de água, ao qual ocorre por meio do abastecimento disponibilizado pela Autarquia de Água e Esgoto do Município de Bariri (Saemba). O Setor de Obras, em conjunto a com a Direção dos Serviços de Educação, realizaram as apurações internas e foi confirmado que nunca houve a interrupção dos serviços de fornecimento de água limpa, tampouco problemas relacionados à encanamentos ou coleta de esgoto. Desta forma, não há o que se falar ou apontar o desabastecimento do prédio”.

 

Manutenção nos reservatórios

De acordo com a administração, o município vem realizando periodicamente a manutenção de todas as caixas de armazenamento de água limpa, com o intuito de proporcionar a todos os alunos, servidores e utilizadores dos prédios públicos mais segurança ao utilizar as instalações públicas que disponibilizam e necessitam do uso da água. Como forma preventiva é realizaa a limpeza das caixas, ao qual se dá pelo esvaziamento do sistema, limpeza interna, correção de possível problemas existentes, proporcionando um sistema adequado de abastecimento de água.

“Informamos que o Setor de Obras sempre está à disposição para atender todas as unidades municipais, corrigindo problemas existentes e muitas das vezes antigos, como parte de uma instrução recebida do governo municipal, para priorizar e atender de forma resolutiva as demandas recebidas. Na Creche Rachel especificamente, foi realizada a limpeza das caixas de abastecimento internas do prédio no mês de maio, contudo foram identificadas que as mesmas já apresentam sinais de desgaste decorrentes do tempo de instalação, ao qual é impossível determinar o período de utilização de forma superficial, aparentemente bem antigas”.

 

Substituição das caixas d’água

A administração continua afirmando que, sendo identificado o problema na caixa d’água da creche, que ainda consistia em vazamento e o uso de caixas de amianto, foram iniciados os trâmites para isolar o uso das caixas.

“Isso mesmo que não apresentem risco aos utilizadores, uma vez que o amianto é prejudicial à saúde humana quando inalado, conforme as pesquisas cientificas mais recentes apresentas no âmbito acadêmico, conforme disponibilizado ainda no blog do Instituto Nacional do Crisotila, instituto este reconhecido nacionalmente, afirma que ‘não há registro na literatura médica mundial de adoecimento de pessoas por ingerirem a água ou usarem produtos de fibrocimento com amianto, como é o caso das telhas e caixas d’água’, ratificando assim que as caixas de água existentes na unidade da Creche, que são constituídas de amianto, não representam risco eminente à saúde das crianças e funcionários, mas mesmo assim de forma preventiva, os serviços para a substituição das caixas d’água, por novos modelos de acordo com as novas nomas técnicas de construção, com vedação adequada e tecnologia antibacteriana já estão sendo providenciadas e já está na últimas etapas de contratação dos serviços e compra dos materiais”.

 

Higiene das crianças

O Executivo admitiu que as crianças atendidas pela Creche Rachel ficaram alguns dias sem banho, por conta do isolamento das caixas d’água, em meio a troca do sistema e liberação integral para o uso.

“Os encanamentos dos chuveiros são provenientes das caixas, o que não significa que a unidade ficou com o uso a água restrito, uma vez que o sistema direto, ‘da rua’, está operando normalmente e provê abastecimento à cozinha e sanitários. Contudo, a higiene das crianças nunca deixou de ser realizada pelas servidoras, que prezam sempre pelo bem-estar, estando dessa forma esclarecidos os levantamentos acerca do abastecimento de água”.

 

Segurança em meio às obras

Além de uma nova rampa de acesso ao prédio de baixo da unidade, as obras no local, de acordo com a prefeitura, também irão promover a acessibilidade e proporcionar o uso seguro durante as intempéries climáticas.

Por fim, as diretorias de Obras e Educação garantiram que o local é seguro, embora não tenham informado o prazo para finalização das obras.

“Em nenhum momento a unidade e a empreiteira deixou de proceder com o quesito de segurança para os utilizadores da unidade, uma vez que, no início da obra, foi instalado uma rede de proteção para impedir a aproximação de crianças e para sinalizar o canteiro de obras, contando ainda com o empenho dos servidores que mantém constantemente à vigilância das crianças, até a finalização da obra. Reiteramos assim que a segurança de todos e em todas as unidades públicas de ensino, saúde e atendimento ao público são prioridades da gestão municipal e que os setores atuam diariamente para sanar problemas existentes que podem ocasionar possíveis riscos, de forma a inibir toda e qualquer probabilidade de acidente”.