Caso de assédio dentro da Câmara mobiliza Procuradoria da Mulher em Guaxupé

Servidora denuncia assédio de ex-vereador; Procuradoria da Mulher garante acolhimento e encaminha caso à polícia.

Caso de assédio dentro da Câmara mobiliza Procuradoria da Mulher em Guaxupé
Mônica Ribeiro e Maria José Cyrino procuradoras da mulher da Câmara - Foto: Lucas Araujo

Um episódio de assédio envolvendo um ex-vereador e uma servidora da Câmara Municipal veio a público nesta semana, após pronunciamento da vereadora Maria José Cyrino (Avante), Procuradora da Mulher do Legislativo, durante sessão ordinária. A fala foi reforçada em entrevista concedida ao Jornal Noticiantes, na qual ela e a procuradora-adjunta, vereadora Mônica Ribeiro (União), detalharam os encaminhamentos do caso e o trabalho da Procuradoria da Mulher no município.

De acordo com Maria José, o caso ocorreu em junho, mas os procedimentos de acolhimento e encaminhamento foram realizados em agosto, durante as ações do Agosto Lilás, mês de combate à violência contra a mulher. A colaboradora, segundo a vereadora, foi surpreendida pelo ex-parlamentar, que teria proferido “palavras absurdas” em tom de cunho sexual dentro da própria sala de trabalho. O relato da vítima, bem como os nomes das testemunhas presentes no momento do ocorrido, foi registrado pela Procuradoria da Mulher e encaminhado à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM).

“Tentamos fazer o máximo para que chegasse ao entendimento que, ao meu ver, enquanto mulher, aquilo foi um assédio sexual. Não cabe a mim escrever ali, cabe relatar o fato e que as autoridades pertinentes tomem o avançar do caso”, destacou Maria José na tribuna.

Na entrevista, as procuradoras reforçaram que a vítima recebeu acolhimento psicológico e apoio da rede municipal de proteção, que inclui as áreas de saúde, assistência social e segurança pública. O trabalho da Procuradoria, explicaram, é o de oferecer escuta ativa, registrar os relatos e direcionar para os órgãos responsáveis, garantindo o fortalecimento da mulher diante da situação vivida.

Maria destacou que o episódio dentro da Câmara evidencia a necessidade de ações contínuas contra toda forma de violência:

“Nenhum homem tem liberdade para falar do corpo de uma mulher ou tratá-la como objeto. Nossa função é acolher, orientar e encaminhar, para que casos como esse não se repitam”.

O caso segue sob responsabilidade da Delegacia da Mulher de Guaxupé, que deverá apurar as denúncias e tomar as medidas cabíveis contra o ex-vereador envolvido.

Procuradoria da Mulher em Guaxupé

Instituída em abril deste ano, a Procuradoria da Mulher da Câmara Municipal atua como um braço da rede de segurança e proteção (Polícias Civil e Militar, Conselho da Mulher, Guarda Civil Municipal e secretárias municipais de Desenvolvimento Social, de Educação e Saúde). O atendimento ocorre inicialmente por meio do CAC (Centro de Atendimento ao Cidadão), onde é possível solicitar contato com a Procuradoria pelo WhatsApp (35) 3551-7677. O objetivo é oferecer acolhimento, informação e fortalecimento às mulheres, mesmo quando não se sentem prontas para formalizar uma denúncia.

“A nossa procuradoria é um braço, é uma proteção para garantir os direitos da mulher em qualquer forma de violência. Pode ser através de violência doméstica, violência patrimonial, qualquer tipo de violência, violência psicológica, assédio moral. A Procuradoria da Mulher na Câmara é para isso, é para estar acolhendo a mulher nesse sentido e direcionar para as políticas de atendimento”, explicou Mônica.

As procuradoras destacaram ainda que muitas mulheres que procuram o órgão não reconhecem, de imediato, que estão em situação de violência. Casos de violência psicológica, patrimonial e moral ainda são frequentemente naturalizados, o que reforça a necessidade de informação e apoio constante.

“Por incrível que pareça, nós recebemos relatos de outras pessoas, as mulheres nos procuram e elas não sabem que sofrem violência ou que já sofreram violência, porque muitas vezes elas vêm já com a fala pronta. Ele não me bate, mas me priva disso, faz isso. E a gente tenta mostrar que a violência doméstica não é só o bater. E tudo começa na violência psicológica, violência patrimonial. Esse tipo de violência está subentendido. E muitas mulheres que nos buscam é por fortalecimento, porque elas não têm a coragem de falar. Elas precisam de um braço para que a gente fale que o que você está passando é violência, e você precisa de ajuda para sair desse ciclo”, disse Maria José.

Compromisso com políticas públicas

Maria José e Mônica ressaltaram que o episódio envolvendo a servidora da Câmara não é isolado e que novas políticas públicas são essenciais para assegurar os direitos das mulheres. Elas têm buscado referências em outras cidades e junto a órgãos nacionais para ampliar as ações em Guaxupé.

“Os órgãos aqui em Guaxupé são bem atuantes, tanto o social, a saúde, a educação, a delegacia da mulher, todos. Então, nós queremos isso, que assegure as políticas públicas para todos as mulheres. E nós não vamos nos calar. Nós estamos aqui, eu e a Maria, nós estamos aqui enquanto procuradoras para garantir os direitos e não a qualquer tipo de violência contra a mulher”, afirmou Mônica.