Software da Saúde: Myrella defende urgência da modernização em semana que o atual sistema ficou fora do ar por 24 horas; baririenses poderão marcar consultas e exames pelo celular

Software da Saúde: Myrella defende urgência da modernização em semana que o atual sistema ficou fora do ar por 24 horas; baririenses poderão marcar consultas e exames pelo celular

“Uma queda de sistema que dura quase um dia inteiro não é um inconveniente técnico qualquer — é uma falha que tem nome e sobrenome: é o paciente que teve seu atendimento atrasado, a enfermagem que não conseguiu registrar a pré-consulta, o médico que não acessou o prontuário. Esse cenário — sistema que não integra, que não responde, que cai e deixa a saúde na mão — é exatamente o que justifica a busca por uma solução nova, moderna e comprometida com o funcionamento contínuo dos serviços”. – Myrella Soares, Diretora Municipal de Saúde.

 

Foi homologado pelo prefeito Airton Pegoraro (Avante), no Diário Oficial de sexta-feira passada (08), o Pregão Eletrônico nº 05/2026, que teve como vencedora a empresa Maestro Sistemas Ltda, de Americana-SP, que ficará responsável pelo fornecimento de software “SAAS” (Software As A Service), um sistema exclusivo para gestão da saúde pública municipal, com serviços de conversão de dados, implantação, treinamento, customização e suporte técnico remoto, por um período de 12 meses.

O valor previsto no certame era de R$ 857.020,00. A vencedora da licitação deu o lance de R$ 700.950,00 (setecentos mil, novecentos e cinquenta reais). O valor do investimento causou certa polêmica, com munícipes criticando a necessidade do serviço. Para entender melhor as justificativas da administração, nossa reportagem conversou com Myrella Soares, Diretora Municipal da Saúde, que explicou que o atual sistema utilizado pela rede é totalmente arcaico – fator que, segundo Myrella, prejudica os profissionais da saúde, servidores administrativos e até mesmo os próprios pacientes, que reclamam constantemente por conta da letargia .

“A realidade de quem trabalha na saúde de Bariri hoje é uma incerteza constante. O sistema atual é ultrapassado e fragmentado — cada serviço funciona no seu próprio mundo, sem se comunicar com os outros, isso quando não trava. A UBS não enxerga o que o hospital fez, o hospital não acessa o histórico da atenção básica, e quem sai perdendo é sempre o paciente, que muitas vezes precisa repetir informações, refazer exames ou carregar seus próprios documentos na bolsa para não perder o histórico do seu tratamento. Visualizar exames, consultas e procedimentos de um paciente de forma rápida e organizada — algo que deveria ser básico em qualquer sistema de saúde moderno — ainda não é uma realidade em Bariri. Os profissionais perdem tempo precioso buscando informação que deveria estar a um clique de distância. Quando surge a necessidade de incluir um novo serviço ou corrigir um problema no sistema, a resposta da atual empresa responsável pode levar meses — meses para resolver questões simples que travam o atendimento diário à população. Isso é inadmissível em um serviço essencial como a saúde”, começou a diretora.

Para Myrella, nesta última semana a situação teria ficado ainda mais evidente: o sistema atual utilizado pela rede ficou fora do ar por quase 24 horas, gerando um verdadeiro caos nas unidades de saúde. Os profissionais da rede precisaram recorrer a uma versão online alternativa, que funciona de forma diferente do módulo regular — o que gerou confusão, atraso e prejudicou diretamente o atendimento na atenção básica. A diretora sustenta que o novo software irá melhorar a atual realidade, para que situações como esta deixem de ocorrer.

 

Integração das unidades

Segundo Myrella Soares, o novo software terá um papel fundamental em integrar dados de todas as unidades da Rede de Atenção Básica do município, criando um único histórico para os pacientes, independentemente da unidade em que forem atendidos.

“Vamos pensar assim: hoje a saúde de Bariri funciona como vários quebra-cabeças separados, cada um com suas próprias peças. O novo sistema vai juntar tudo em um único quebra-cabeça completo. Com ele, todas as unidades de saúde vão se comunicar. O médico vai saber o histórico do paciente, o agendamento vai ser feito de forma organizada, os exames vão ser solicitados e controlados pelo sistema, os remédios da farmácia vão ser gerenciados corretamente, e os dados enviados ao governo federal vão chegar certinhos — sem rejeição, sem perda de dinheiro. Isso significa menos burocracia para quem trabalha na saúde e atendimento mais rápido e de melhor qualidade para quem usa o SUS em Bariri”.

 

Implantação

A licitação prevê que serão necessários 12 meses para implantação do novo sistema. Depois disso, o software ficará permanentemente à disposição dos profissionais de saúde e usuários da rede e a empresa será responsável por qualquer tipo de manutenção e atualização necessárias.

“O sistema não é comprado como um produto que se instala e pronto — ele funciona como um serviço contínuo, igual a uma assinatura. A empresa fica responsável por manter tudo funcionando, atualizar o sistema quando o Governo Federal mudar as regras, corrigir problemas, monitorar os indicadores de saúde e dar suporte técnico ao município o tempo todo, enquanto o contrato estiver vigente. Os 12 meses são o período de implantação e adaptação — depois disso, o sistema segue operando com suporte garantido, o sistema passa ser do município”.

 

Treinamento

O contrato garante que os profissionais da saúde irão receber o treinamento necessário para operar o novo sistema. O treinamento é uma obrigação da empresa vencedora da concorrência. Médicos, enfermeiros, agentes comunitários, recepcionistas e pessoal administrativo irão aprender a usar o sistema antes dele entrar em funcionamento.

“E mesmo depois da implantação, o suporte técnico continua disponível para tirar dúvidas e resolver problemas do dia a dia. A prefeitura também assume a responsabilidade de garantir que os servidores utilizem o sistema de forma correta e contínua — porque o sistema só dará resultado se for bem alimentado com informações”.

 

População vai marcar consultas e consultar estoque de medicamentos pelo celular

Myrella garante que o benefício para quem mora em Bariri é concreto e vai aparecer no dia a dia de várias formas. Por exemplo, pelo celular, qualquer morador vai poder agendar consultas, ver resultados de exames, acompanhar a fila de espera, acessar a carteira de vacinação digital e saber se o remédio que precisa está disponível na unidade de saúde mais perto.

“Tudo isso sem precisar sair de casa, sem fila, sem papel. Nas unidades de saúde, o atendimento vai fluir melhor porque os profissionais vão ter as informações certas na hora certa, sem precisar ligar para outra unidade ou pedir que o paciente carregue seus próprios exames consigo”.

 

Retorno financeiro aos cofres públicos

A diretora alega ainda que o novo sistema trará um benefício que vai direto para os cofres do município e, consequentemente para o bolso de toda a população.

“Com o sistema funcionando corretamente, Bariri pode passar a receber até R$ 922.520,30 a mais por ano do Governo Federal — dinheiro que até a gestão anterior estava sendo perdido por conta de erros no faturamento e indicadores de saúde abaixo do potencial. Esse recurso a mais significa mais investimento em saúde pública para toda a cidade. Além disso o novo sistema vem de encontro de exigências de leis municipais, que não poderiam ser devidamente efetivadas com o sistema antigo”.

 

O valor do investimento é alto demais ou está dentro do padrão?

Para concluir, a diretora Myrella Soares não fugiu da maior polêmica em torno do novo sistema: o valor de mais de meio milhão de reais para um software não é alto demais para um município como Bariri?

“Essa é uma pergunta justa, e a população merece uma resposta clara e honesta. Quem compara o valor do novo contrato com o do sistema anterior está comparando coisas muito diferentes — é como comparar o custo de um carro popular com o de uma van equipada para transporte de passageiros. Os dois têm rodas e motor, mas não servem para a mesma coisa. O contrato anterior pagava por módulos separados e básicos — farmácia, laboratório, ambulatório — cada um funcionando no seu quadrado, sem conversar com os outros. O novo contrato inclui um sistema completamente especializado e integrado, que foi criado exclusivamente para serviços de saúde, com muito mais funcionalidades: regulação de consultas e exames, aplicativo para o cidadão, portal de transparência, painel de indicadores para os gestores, integração com o Ministério da Saúde, transporte de saúde, vigilância epidemiológica, saúde mental, e muito mais. Além disso, inclui serviços que antes não existiam: implantação completa, treinamento de todos os profissionais, suporte técnico contínuo”, explica.

A diretora alega que, uma vez que a atual gestão diagnosticou o problema da perda de recursos financeiros por conta de dados errôneos e falhas no atual modelo de sistema, buscou por soluções junto ao Ministério da Saúde e, com isso, iniciou o trabalho de reestruturação da atenção básica – dando como exemplo o trabalho que acontece no Ambulatório de Saúde Mental/Caps e também na Policlínica.

“Nessas unidades, os dados não estavam sendo computados; os repasses que poderiam vir para esses serviços, acabavam se perdendo. É preciso habilitar os serviços ofertados e, acima de tudo, fazer com que o Governo Federal enxergue o trabalho que está sendo realizado. O novo software irá ajudar a corrigir isso. Logo,  ele se paga com o próprio dinheiro que o município vai deixar de perder. Em outras palavras: o investimento no sistema pode custar menos do que o município está desperdiçando por não tê-lo.

Myrella desafia os críticos do valor do investimento no novo software a olhar para os números que já existem no orçamento municipal da saúde, voltando a enfatizar que Bariri perdia, até a gestão passada, mais de R$ 922 mil por ano em recursos federais que poderiam ser destinados à saúde, mas que não foram repassados pelas falhas do atual modelo.

“A Santa Casa de Bariri — que é fundamental para a população e merece todo o apoio — recebe R$ 12,1 milhões para um período de 12 meses, de julho de 2025 a junho de 2026. Isso representa R$ 988 mil por mês, com valores ainda maiores em novembro e dezembro, quando são pagos os 13º salários dos funcionários do hospital. Esse investimento é reconhecido pela população porque os resultados aparecem — e isso demonstra algo muito importante: quando se investe com responsabilidade na saúde, os avanços acontecem e as melhorias são visíveis. Pois bem: o valor investido no novo sistema de gestão da saúde básica é expressivamente menor do que o repasse mensal à Santa Casa — e vai beneficiar diretamente todas as unidades de atenção primária do município, todos os profissionais que nelas trabalham e todos os moradores de Bariri que dependem do SUS no dia a dia. Não faz sentido defender o investimento no hospital — que é necessário e correto — e questionar um investimento menor destinado a modernizar e organizar toda a rede básica de saúde do município. O software vem justamente para atender às reclamações dos próprios munícipes, que sempre cobram por mais profissionais, celeridade nos exames, especialidades e etc, tudo isso só será possível investindo e evoluindo a atenção básica para outro nível, mais eficiente”.

 

Queda do atual sistema nesta semana gerou caos na rede

Por fim, Myrella Soares detalha o ocorrido nesta semana: o atual sistema utilizado caiu e permaneceu quase 24 horas fora do ar.

“As unidades de saúde tiveram que operar com improvisos, atendimentos atrasados e profissionais sem acesso às informações de que precisavam. Manter um sistema ultrapassado, que cai, que não integra os serviços e que leva meses para responder chamados simples não é economia — é desperdício de dinheiro público e de tempo dos profissionais de saúde”.

Ela cita a Lei de Licitações (Lei 14.133/2021), dispositivo que exige que o poder público avalie não só o preço, mas o custo-benefício ao longo do tempo.

“Nesse caso, os números são claros: contratar bem significa deixar de perder mais de R$ 922 mil por ano em recursos federais, modernizar o atendimento e oferecer um serviço de saúde muito melhor para quem mais precisa — a população de Bariri. Tudo que é novo causa estranheza; todo mundo quer que a Saúde melhore mas, para isso, mudanças são necessárias e o progresso tem seu custo. Qualquer melhoria, por menor que seja, gera uma despesa para o município, logo, só existem duas opções: estagnar e viver de lamentações e achismos, ou ousar acolher o novo e com ele o progresso”, finaliza a diretora.