Vereadores divergem sobre contratação de nova ONG para abrigar animais em Bariri
O pregão eletrônico nº. 18/2026, aberto pela Prefeitura Municipal de Bariri com o objetivo contratar “empresa ou organização, para eventual prestação de serviços de acolhimento e abrigamento de animais de pequeno e grande porte”, está dividindo opiniões nas redes sociais e também na Câmara Municipal.
Aberta em 07 de maio, a licitação no valor de R$ R$ 63.750,00 tem vigência de 12 meses e foi realizada nesta quinta-feira (21). As pesquisas de preço para estabelecer o valor tomaram como base a ONG Arca da Fé Resgate Animal, de Bauru.
A principal dúvida desta contratação envolve a Associação Francisco de Assis Protetora de Animais (AFABI), popularmente conhecida como Associação Focinho Carente. A administração justifica que o abrigo encontra-se atualmente em situação de superlotação, o que limita a capacidade de acolhimento de novos animais.
Na sessão camarária desta segunda-feira (25), o vereador Roni Romão, autodeclarado defensor da causa animal, comentou que a decisão de a prefeitura contratar um novo abrigo teve sua participação.
“Como todos sabem, o Focinho Carente encerrou suas atividades de resgate e acolhimento dos animais devido a sua superlotação. A maneira que eu encontrei, junto ao prefeito, foi contratar uma ONG, uma empresa responsável pelo acolhimento dos animaizinhos errantes e eventuais emergências que possam ter na causa animal. É uma forma de ajudar o Focinho Carente até que eles se adequem financeiramente. Logicamente que, no futuro, nada impede o Focinho Carente de estar voltando a receber esses animais. Foi essa forma que encontrei de estar ajudando a entidade”, começou Roni.
Sem citar nomes, ele rebateu uma crítica pública postada nas redes sociais pela advogada dra. Anete Zeni Chahim. No texto, a advogada, que também é voluntária no Focinho Carente, cita “descaso do prefeito com a entidade” devido a contratação da nova ONG.
“Enquanto a Associação Focinho Carente – entidade que há anos sustenta sozinha a causa animal em Bariri com recursos próprios, rifas, vaquinhas e doações – agoniza financeiramente, a Prefeitura Municipal de Bariri abre os cofres públicos para bancar uma nova entidade. É um tapa na cara de quem dedicou anos à causa. A Prefeitura prefere gastar dinheiro público com uma entidade que sequer existe no município, que não tem histórico, que não construiu relação com a comunidade – em vez de fortalecer quem já está na linha de frente há anos”, disse dra. Anete.
Roni Romão, em seu discurso na Palavra Livre, definiu a nota emitida pela advogada como “equivocada”.
“Algumas pessoas entendem e interpretam errado, porque, às vezes, não entendem o sistema como é. Foi lançada uma nota equivocada no Facebook falando a respeito da verba que vai ser usada pra pagar essa ONG, que vai se responsabilizar para resgatar os bichinhos. As pessoas entenderam errado achando que era R$ 63 mil mensal, e é um valor anual. Não é uma fortuna ou uma coisa milionária como foi falado”, rebateu o vereador.
Também na Palavra Livre, Leandro Gonzalez (Avante) divergiu da opinião de Roni Romão, seguindo a mesma linha de raciocínio de Anete Zeni.
“Como todos conhecem, o Focinho Carente é mantido há mais de 15 anos e sobrevive com a ajuda e suor dos voluntários, que acabam fazendo o papel do setor público. A entidade vem pedindo socorro já faz algum tempo e vem operando no vermelho. Qual foi a resposta do prefeito? O aumento do repasse? Não! A resposta foi anunciar uma licitação de R$ 63 mil para contratar uma empresa privada. Por que a prefeitura não faz aportes na própria entidade, que sabe a demanda, sabe as causas do município? Por que prefere tomar outros caminhos, sendo que já tem ali os voluntários?”, questionou.
Leandro lembrou do TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) firmado entre Focinho Carente e Poder Público, mediado pelo Ministério Publico, antes mesmo de Airton Pegoraro assumir o Executivo. Neste TAC, ficou previsto o valor do repasse mensal à entidade, além também da obrigatoriedade de contratação de uma clínica veterinária para atender os animais vítimas de maus-tratos e recolhidos pelo abrigo.
Nesta semana, foi anunciada a contratação da clínica. A vencedora da licitação foi a empresa Cristiano Barbieri ME (Barbieri Petshop & Veterinária), pelo valor de R$ 629.930,00 (seiscentos e vinte e nove mil e novecentos e trinta reais), pelo período de 12 meses

















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