Renato Purini fica em silêncio em depoimento; Operação Cavalo de Troia rende mais uma prisão

Renato Purini fica em silêncio em depoimento; Operação Cavalo de Troia rende mais uma prisão

Na terceira fase da Operação Cavalo de Troia, deflagrada nesta sexta-feira (21), foi preso preventivamente um dos responsáveis por uma empresa investigada por suposta intermediação de vantagens indevidas relacionadas à concessão dos serviços públicos de manejo de resíduos sólidos no município de Bauru.

As autoridades cumpriram também mandados de busca e apreensão em endereços vinculados a pessoas jurídicas apontadas como intermediárias dos valores. Em outra frente, a Justiça decretou medidas assecuratórias destinadas à preservação de bens e ativos, até o limite de R$ 20 milhões. As diligências são conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), com apoio da Polícia Militar.

 

"A nova fase da investigação concentrou-se no braço financeiro do esquema e nas pessoas supostamente responsáveis pela intermediação das propinas. Os elementos reunidos até o momento indicam que empresas e contratos aparentemente desprovidos de efetiva causa econômica teriam sido utilizados para conferir aparência de regularidade à transferência de recursos destinados, de forma indireta, a agentes públicos e pessoas por eles indicadas", disse o MP por meio de nota. 

Segundo a investigação, os pagamentos identificados até o momento superam R$ 4 milhões. As transferências teriam sido formalizadas por meio de contratos, notas fiscais e descrições de serviços cuja efetiva prestação ainda é objeto de apuração.

 

Essa frente investigativa foi aprofundada após a apreensão, na fase anterior da Operação Cavalo de Troia, de uma nota fiscal emitida pela empresa que estaria intermediando as propinas. As diligências realizadas posteriormente identificaram outros pagamentos expressivos em favor da mesma empresa.

 

A Operação Cavalo de Troia investiga possíveis crimes de corrupção e outras irregularidades relacionadas à gestão de resíduos sólidos urbanos em Bauru.

Na segunda fase, deflagrada em 16 de outubro, houve cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços localizados não só na cidade do interior paulista, mas também na capital. Naquela ocasião, as autoridades cumpriram mandado de prisão preventiva contra o secretário municipal de Governo. Levando-se em conta as três fases de operação, oito pessoas já foram detidas.

 

O silêncio de Purini

O ex-secretário e marido da prefeita de Bauru, Suéllen Rosim (PSD), Renato Purini, optou por permanecer em silêncio durante depoimento prestado ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) na tarde desta quinta-feira (22).

Purini foi interrogado por videoconferência diretamente da Penitenciária II de Potim, no Vale do Paraíba, onde está preso de forma preventiva e é investigado no âmbito da segunda fase da Operação Cavalo de Troia, deflagrada pelo Gaeco para apurar fraudes na licitação da gestão do lixo na cidade.

 

 O ex-secretário declarou ao promotor Nelson Aparecido Febraio Júnior que não responderia aos questionamentos. Purini estava acompanhado de seis advogados.

“De acordo com a orientação da minha equipe técnica que está aqui conosco, eu optei por me manter em silêncio”, afirmou Renato Purini.

Ele foi preso no dia 16 de outubro durante a segunda fase da Operação Cavalo de Troia, e a ação do Ministério Público cumpriu mandados de busca na residência da chefe do Executivo e na prefeitura. Purini foi transferido para a Penitenciária II de Potim, no Vale do Paraíba, na tarde desta quarta-feira (21).