A quase queda
Desde tempos imemoriais, a humanidade nutre esperanças pela chegada de um novo tempo, tal como os hebreus aguardavam a terra prometida ou como Ulisses ansiava pelo retorno à sua amada Ítaca. Em Guaxupé, esse anseio tem nome e prazo: o rompimento do contrato com a Copasa.
Por anos, a população guaxupeana tem sofrido com um serviço deficiente, marcado por fornecimento irregular, obras inacabadas e tarifas que pesam como um castigo injusto sobre os munícipes. Cada torneira que verte água turva é um lembrete de que este ciclo precisa acabar. Cada vala aberta nas ruas é uma cicatriz da negligência de uma empresa que não soube respeitar aqueles que dependem dela.
A esperança por justiça se renova agora com a decisão do governo municipal de exigir respostas concretas da Copasa, sob pena de rescisão contratual. Como bem disse o prefeito Jarbinhas, “o que não dá é pra continuarmos nesta situação”. E ele tem razão. Guaxupé merece mais.
O caminho para a liberdade hídrica pode ser inspirado em experiências bem-sucedidas, como a municipalização do serviço em Poços de Caldas, modelo que se destaca pela eficiência e proximidade com a população. A visita recente da comitiva guaxupeana ao Departamento Municipal de Água e Esgoto (DMAE) dessa cidade é um indício de que um novo horizonte se avizinha.
Tal como Prometeu roubou o fogo dos deuses para dar autonomia aos homens, Guaxupé tem agora a chance de reivindicar o controle sobre seu próprio futuro hídrico. O tempo da espera terminou. A Copasa, que tanto prometeu e pouco entregou, está com os dias contados. E que assim seja.
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