Focinho Carente diz que repasse mensal de R$ 8,5 mil é insuficiente e pede ajuda ao MP para negociar reajuste com Prefeitura de Bariri; dívida atual da entidade com clínicas veterinárias ultrapassa R$ 40 mil

Focinho Carente diz que repasse mensal de R$ 8,5 mil é insuficiente e pede ajuda ao MP para negociar reajuste com Prefeitura de Bariri; dívida atual da entidade com clínicas veterinárias ultrapassa R$ 40 mil

A situação financeira da Associação Francisco de Assis Protetora dos Animais de Bariri (AFAPABI), conhecida como “Focinho Carente”, tomou os holofotes da imprensa local nesta semana, após um ofício assinado pela advogada que representa a entidade viralizar nas redes sociais nesta segunda-feira (23). O documento alegou que a Prefeitura Municipal de Bariri teria suspendido o repasse financeiro mensal à associação, por conta de uma representação protocolada pelo vereador Roni Romão (PL) no Ministério Público, que apontou supostas irregularidades na prestação das contas de 2024 da instituição.
Intitulado “comunicado importante”, a mensagem inicialmente enviada aos voluntários da associação acabou vazando e sendo compartilhada de forma massiva entre grupos de WhatsApp.
O texto assinado pela dra. Anete Chaim afirma que Roni Romão se “elegeu utilizando a bandeira da causa animal”, mas que “nunca colaborou com absolutamente nada, nunca procurou nossa diretoria para entender nosso trabalho, nossa rotina, nossas dificuldades ou solicitar qualquer documento”.
Atualmente, o Focinho Carente abriga 250 animais vítimas de maus-tratos, abandono ou situação de rua. A entidade relacionou diretamente a petição de Roni no MP à paralisação do repasse mensal de R$ 8,5 mil realizado pela Prefeitura de Bariri.

“Lamentavelmente, por conta dessa situação, estamos sendo forçados a suspender temporariamente os resgates, pois além da suspensão da verba, nossas dívidas com clínicas veterinárias já estão muito altas”.


Em nota enviada à imprensa também na segunda-feira, Roni Romão se defendeu das acusações. A defesa do vereador afirmou que a suspensão por parte da prefeitura teria ocorrido pelo vencimento do termo de fomento (uma espécie de contrato), firmado entre entidade e municipalidade. O termo, segundo Romão, venceu em maio.

“Cumpre esclarecer que o vereador apresentou documentos ao Ministério Público, única e exclusivamente desempenhando sua função regular de fiscalização legislativa, não atribuindo qualquer responsabilidade administrativa ou penal a qualquer agente e tampouco pleiteando a paralisação de repasses à entidade”, disse.


Após a repercussão do caso, a Prefeitura de Bariri afirmou que regularizou os repasses, mas sem emitir nota oficial sobre o assunto ou entrar em detalhes sobre os motivos da suspensão temporária. 
Ao responder os apontamentos de Roni Romão ao Ministério Público, a Associação Focinho Carente aproveitou a oportunidade para clamar pela ajuda da Promotoria de Justiça, no que se refere ao valor do repasse mensal (R$ 8,5 mil), realizado pelo Poder Público.

“A AFAPABI conclui sua manifestação com um apelo ao Ministério Público por auxílio na interlocução com a Prefeitura Municipal de Bariri para reajuste do valor do repasse mensal, atualmente de R$ 8.500,00, alegando ser insuficiente para cobrir as despesas, especialmente a folha de pagamento de funcionários (superior a R$ 16.000,00), e destacando o trabalho essencial que realiza no município”, cita a promotora dra. Daniela Carvalho Guimarães Schwartzman.


À reportagem do Noticiantes, Leticia Cantazini, presidente da associação, informou que a dívida atual do Focinho Carente com duas clínicas veterinárias locais ultrapassa R$ 40 mil, salientando que a entidade sempre fecha o mês com déficit orçamentário, situação que se alastra ao longo dos anos.

“Só conseguimos seguir com nossas atividades porque temos o apoio e a confiança da população baririense. É graças à solidariedade das pessoas que conseguimos nos manter de pé em meio a tantos desafios. E é com essa mesma ajuda que poderemos continuar cuidando dos animais que mais precisam, até que possamos dividir nossa responsabilidade com um canil municipal”, disse o Focinho Carente, por meio de nota.


A Promotoria de Justiça deu o prazo de 30 dias para que a Prefeitura Municipal de Bariri se manifeste sobre o reajuste do repasse mensal à entidade.