Focinho Carente emite novo pronunciamento e alega que tomou medidas emergenciais para conter epidemia de cinomose em 2024
A Associação Focinho Carente, entidade que presta os serviços de acolhimento e resgate a animais em situação de rua e vítimas de maus-tratos em Bariri, rebateu novamente o vereador Roni Romão (PL), através de um novo pronunciamento emitido na tarde desta segunda-feira (23).
Em nota, a defesa de Roni Romão informou que o vereador solicitou ao Ministério Público “informações a respeito de possíveis irregularidades, ausência de transparência e incorreta aplicação de recursos empregados pela entidade”. Segundo apurado por nossa reportagem um dos questionamentos seria sobre uma verba que teria sido “desviada” para outra finalidade.
O Focinho Carente, por sua vez, justifica que agiu de maneira emergencial para conter a Epidemia de cinomose, que atingiu cães em Bariri no ano passado. Sobre o reestabelecimento dos repasses, a entidade alega que está em comunicação com a Prefeitura de Bariri.
“A Associação Francisco de Assis Protetora dos Animais de Bariri – AFAPABI, também conhecida como Focinho Carente, vem a público prestar esclarecimentos à população de Bariri a respeito dos recentes acontecimentos envolvendo esta entidade, em especial quanto à nota divulgada pelo vereador Roni Paulo Romão (PL) e ao procedimento atualmente em trâmite no Ministério Público.
Em primeiro lugar, lamentamos a forma como a atuação da AFAPABI vem sendo questionada, sobretudo por alguém que, eleito com apoio da causa animal, jamais procurou esta instituição para conhecer de perto sua realidade ou estabelecer diálogo com a diretoria. No decorrer do ano de 2024, o município de Bariri enfrentou uma grave emergência sanitária em razão da rápida disseminação de cinomose, exigindo medidas urgentes e resolutivas por parte da nossa organização.
Todas as ações realizadas neste período foram devidamente documentadas e ocorreram em consonância com a gravidade do contexto. Cumpre esclarecer que, ao contrário do que afirma o vereador, os repasses à entidade não foram interrompidos pelo simples vencimento do Termo de Fomento.
Contrariamente ao que foi divulgado, a própria Prefeitura informou ao Ministério Público que a tramitação para renovação do termo foi impactada pela abertura do procedimento investigativo, instaurado a partir da documentação apresentada pelo próprio vereador.
Ressalta-se que, até então, as tratativas para renovação já estavam em andamento entre esta entidade e o Poder Executivo. Devido à suspensão dos repasses, foi necessário que esta associação peticionasse ao Ministério Público noticiando a situação, o que culminou na determinação da Promotoria de Justiça para a retomada dos pagamentos, viabilizando assim a continuidade dos serviços prestados. Todas as provas e documentos que atestam essa sequência de fatos foram devidamente anexados aos autos. As exigências burocráticas não condizem com a realidade enfrentada, especialmente quando não há estrutura ou pessoal para dar conta de tais demandas.
A exigência, por exemplo, de três orçamentos para toda e qualquer ação realizada, revela-se descolada da realidade prática de uma ONG que já não recebe recursos suficientes nem para manter o básico de suas operações. A maioria dos atendimentos realizados pela AFAPABI são de natureza emergencial — e não há tempo hábil, nesses casos, para iniciar trâmites burocráticos enquanto um animal está agonizando. Hoje, apenas três voluntárias atuam diariamente na linha de frente, acumulando funções que vão desde cuidados diários, alimentação, medicação, resgates, atendimentos clínicos, adoções, higienização, gerenciamento das redes sociais, prestação de contas, campanhas, eventos e captação de recursos.
Esperar que uma entidade com esse perfil operacional funcione como um órgão público, com setores distintos e profissionais especializados, é uma expectativa completamente dissociada da nossa realidade prática.
Também consideramos inapropriada a falta de empatia e entendimento a cobrança, em meio à crise sanitária, de melhorias estruturais como a construção de baias. O foco, naquele momento, era preservar vidas — e não levantar paredes. Cumpre informar que uma ação compensatória já se encontrava formalizada junto à Prefeitura Municipal; entretanto, em decorrência da iniciativa do referido vereador, sobreveio como consequência adicional a suspensão do referido processo. Cabe destacar ainda que a AFAPABI sempre enviou os relatórios mensais de suas atividades. Até então, não havia qualquer ciência de nossa parte de que essas informações careciam de maior detalhamento. Assim que fomos orientados, reorganizamos o formato dos relatórios, abrimos nossos extratos bancários e passamos a entregar a documentação solicitada de forma ainda mais minuciosa, reafirmando nosso compromisso com a transparência e a legalidade.
Reconhecemos que, sim, podem ter ocorrido falhas — algumas por desconhecimento técnico e outras pela urgência das circunstâncias. Entretanto, jamais por má-fé ou com qualquer intenção duvidosa. Nossos esforços sempre foram movidos por senso de responsabilidade e comprometimento com o bem-estar animal, e nunca com interesses pessoais ou políticos. Reiteramos que nunca nos opusemos à fiscalização — ao contrário, os defendemos como essencial. Contudo, o momento em que a denúncia foi feita, a forma como as informações foram apresentadas e a ausência de qualquer tentativa prévia de diálogo com a diretoria demonstram falta de sensibilidade e de conhecimento da realidade enfrentada por uma ONG que realiza vultosos atendimentos com estrutura extremamente limitada. Ressalte-se a ÚNICA NA CIDADE PARA ATENDER A TODOS !
Esclarecemos, mais uma vez, que não havia necessidade da adoção dessas medidas sem uma escuta ou apuração prévia diretamente com os responsáveis pela entidade. Impactos e desgastes institucionais poderiam ter sido evitados com boa-fé, diálogo e orientação profissional. A AFAPABI permanece à disposição dos órgãos competentes para prestar todos os esclarecimentos que se fizerem necessários, como sempre esteve. Continuamos organizando e apresentando toda a documentação aos autos do processo com responsabilidade e transparência.
Só conseguimos seguir com nossas atividades porque temos o apoio e a confiança da população baririense. É graças à solidariedade das pessoas que conseguimos nos manter de pé em meio a tantos desafios. E é com essa mesma ajuda que poderemos continuar cuidando dos animais que mais precisam, até que possamos dividir nossa responsabilidade com um CANIL MUNICIPAL.”















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