Bariri registra primeiro homicídio doloso em 20 meses após suplente de vereador ser assassinado a tiros; Semana também é marcada por morte de suposto membro de organização criminosa em confronto com o BAEP
Vinte meses, que equivalem a 88 semanas; que equivalem a 614 dias. Este foi o período em que o município de Bariri permaneceu sem registrar nenhum caso de homicídio doloso. A estatística foi quebrada no último domingo, com o assassinato do suplente de vereador Helton Rodrigues da Silva (PSB), mais conhecido como “Lebré Goleiro”, morto a tiros durante uma briga generalizada ocorrida em um estabelecimento comercial localizado à rua José Aparecido Filenga, no Residencial Viva Mais.

Homicídio doloso é o ato de tirar a vida de alguém com a intenção de matar (dolo direto) ou com a aceitação do risco de causar a morte (dolo eventual). Esse crime, previsto no Art. 121 do Código Penal, pode ser simples, qualificado (com penas mais graves) ou privilegiado (com redução da pena). É diferente do homicídio culposo; no doloso o agente tem consciência do ato e do resultado ou assume o risco.
Antes de Lebré, o último homicídio doloso em Bariri havia ocorrido em 30 de janeiro de 2024, de acordo com a estatística passada pelo Capitão Amauri Manzutti, comandante da Polícia Militar de Bariri, que também comentou a ocorrência deste final de semana através de nota oficial.

“Na noite do dia 05 de outubro, por volta das 22h, a Polícia Militar foi acionada para atender ocorrência de tumulto generalizado com disparos de arma de fogo em um estabelecimento comercial localizado no residencial Viva Mais, em Bariri. Simultaneamente, a PM também foi informada, por profissionais da Santa Casa, sobre um princípio de tumulto no atendimento do Pronto-Socorro Municipal, onde havia a suspeita da presença de pessoas armadas, uma vez que um indivíduo deu entrada gravemente ferido por disparos de arma de fogo. Devido à gravidade das situações, equipes da Polícia Militar de Bariri e região foram designadas para atuar em ambos os locais”, diz o pronunciamento.
De acordo com a PM, a normalidade no atendimento do pronto-socorro da Santa Casa foi restabelecida com a chegada dos agentes.

No hospital, foi constatada a necessidade de atendimento médico para pelo menos três pessoas feridas por arma de fogo, vítimas da briga ocorrida no estabelecimento comercial. A informação sobre a presença de outras pessoas armadas na unidade hospitalar não foi confirmada.

“No local da confusão (Viva Mais), a Polícia Militar prendeu em flagrante dois homens, da mesma família, de 44 e 22 anos, responsáveis pelo estabelecimento. Também foi apreendido um revólver calibre .38, utilizado pelo indivíduo de 22 anos para ferir um dos envolvidos na briga. Infelizmente, um homem de 40 anos, que seria tio de um dos suspeitos que teria dado início a confusão, faleceu na Santa Casa. O local foi periciado e a ocorrência encaminhada à Central de Polícia Judiciária de Jaú, onde somente o homem de 22 anos, que admitiu ser o autor dos disparos que vitimou o homem que entrou em óbito, permaneceu preso. A motivação dos fatos está sob investigação da Polícia Civil”, finaliza Capitão Manzutti.
Segundo informações de testemunhas, a confusão começou com uma discussão, que se transformou em uma briga generalizada, quando familiares dos envolvidos entraram no meio. Em meio a briga, o proprietário do estabelecimento, K. S. C., teria sido atingido por uma espécie de cabeçada. Depois disso, K. S. C., teria sacado uma arma e disparado contra os envolvidos.
O suplente de vereador, Lebré Goleiro, foi fatalmente atingido nas costas e na cabeça pelos tiros, não resistiu aos ferimentos e faleceu aos 40 anos.
O filho de Lebré também teria sido atingido por um golpe de faca no pescoço. O jovem foi encaminhado à Santa Casa e passou por atendimento. Além dele, uma outra pessoa ferida na confusão, que seria sobrinho de Lebré, também foi internada na Santa Casa ao ser baleado na região da perna. Os dois jovens, filho e sobrinho da vítima fatal, estão fora de perigo.

Depois do tiroteio, populares que estavam no local se revoltaram. Um vídeo mostra um grupo de pessoas atirando objetos no portão do autor dos disparos (K. S. C.), além de uma tentativa de incêndio na residência do indivíduo, que reside em frente ao estabelecimento comercial do ramo alimentício, onde a confusão se iniciou.

Morador do bairro Jardim Esperança II, Helton Rodrigues da Silva, o Lebré Goleiro, foi sepultado ao final da tarde de segunda-feira (06), no Cemitério Municipal de Bariri.
K. S. C., o proprietário do estabelecimento comercial e suposto autor dos disparos, segue preso à disposição da Justiça. Seu pai foi detido no mesmo dia, mas acabou sendo liberado. A prisão de K. S. C. foi convertida para preventiva.
Repercussão do caso gera fake news
Quarta-feira (08), vários baririenses receberam, através do WhatsApp, uma mensagem de texto relacionando a presença do Helicóptero Águia, da Polícia Militar, em Bariri à ocorrência do homicídio no bairro Viva Mais. Neste dia, o Águia realizou voo pela cidade fez pouso no CSU (Centro Social Urbano), chamando a atenção de munícipes.
Uma das mensagens “encaminhada com frequência”, dizia que o Águia estaria sobrevoando Bariri, em busca dos possíveis responsáveis de dispararem tiros contra a residência do proprietário do estabelecimento comercial, apontado como o suposto autor dos disparos que ceifaram a vida de Lebré Goleiro.
Nossa reportagem novamente consultou o Capitão Amauri Manzutti, comandante da Polícia Militar de Bariri, que desmentiu o rumor. De acordo com ele, o Águia passou por Bariri nesta quarta-feira em uma atividade de rotina, algo absolutamente comum e corriqueiro.
O Águia atua em operações policiais, resgates aeromédicos, salvamentos e transportes de órgãos e pacientes, além de prestar apoio operacional para órgãos como o Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Policiamento de Trânsito, Rodoviário, Choque e Polícia Ambiental.
Em relação ao vídeo que também circulou de forma massiva nos grupos de WhatsApp, cujas imagens mostram a fachada da residência do suposto autor dos tiros, as marcas no portão e no muro não são decorrentes de outros tiros disparados depois do homicídio, por ato vingança, como alega a informação falsa que viralizou.

No dia da confusão generalizada, um grupo de pessoas tentou incendiar a casa, além de arremessarem inúmeros objetos contra o muro e o portão do indivíduo. Portanto, as marcas no portão e no muro da referida residência resultam da confusão ocorrida no domingo (05).
Membro de facção é morto em troca de tiros com o BAEP

Em uma semana movimentada em Bariri, mas uma ocorrência policial registrada nesta quarta-feira (08), colocou o nome do município nas manchetes regionais.
Policias do Batalhão de Ações Especiais da Polícia Militar (BAEP) trocaram tiros com um indivíduo ainda não identificado, no cruzamento da rua Palmares e avenida Aquilino Fanton, no Jardim Industrial.

O BAEP informou que patrulhava o bairro para apurar denúncia sobre tráfico de drogas e armas em uma residência. Armado, ao perceber a presença de agentes, o suspeito tentou fugir pelos fundos da casa e passou a pular muros de residências para tentar se esconder. Em um dado momento, ele apontou a arma para os policiais, ato que deu início à troca de tiros.

A suspeita é que o sujeito seja membro de uma facção criminosa ligada ao tráfico de drogas; ele não é natural de Bariri e tinha antecedentes por tráfico. O homem foi socorrido e encaminhado à Santa Casa em estado grave, onde foi constatado o óbito logo depois.

Foi apreendida uma pistola Arex Delta Slovenia, de calibre 9 milímetros. O local foi preservado para a perícia da Polícia Científica. O caso foi registrado como morte decorrente de intervenção policial















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