Myrella Soares retorna oficialmente ao Legislativo com discurso forte e pedido aos vereadores: “Chega de perseguição! Me deixem trabalhar em paz”, clama vereadora

Myrella Soares retorna oficialmente ao Legislativo com discurso forte e pedido aos vereadores: “Chega de perseguição! Me deixem trabalhar em paz”, clama vereadora

“Durante o recente processo de cassação eu ouvi um ‘boa sorte’ em dois momentos: no início, logo no dia do registro da denúncia, por parte de alguém que preferiu se abster – talvez por medo ou por não querer se arriscar por mim, mesmo eu tendo feito tudo o que estivesse ao meu alcance para ajudá-lo em outros momentos (...).  O segundo ‘boa sorte’, veio no dia 14/07, em tom de ironia, deboche e digo até de satisfação minutos antes da decisão final do plenário, como todos puderam acompanhar. Porém, pessoas como eu, negra, mulher, trans, que mora na vila, que sempre estudou em escola pública, usuária do SUS, trabalhadora, e servidora pública... pessoas como eu não podem se dar ao luxo de contar com a sorte, nós construímos nosso próprio destino, com luta, suor, lágrimas, sangue e fé. Nunca foi sorte, sempre foi Deus.” Vereadora Myrella Soares (União Brasil).

 

A Sessão Ordinária desta segunda-feira (04), da Câmara Municipal de Bariri, marcou a volta oficial da vereadora Myrella Soares ao Legislativo. Após ter tido a cassação anulada por meio de liminar, Myrella já havia participado de uma rápida Sessão Extraordinária, mas nesta semana ela finalmente pode usar a tribuna, durante a Palavra Livre, para comentar o assunto.
Aguardado por muitos, o discurso de Myrella foi o trecho da sessão que registrou maior número de internautas online na transmissão ao vivo do Jornal Noticiantes via Facebook. Ela reafirmou que não vai tolerar nenhum tipo de violência. No final do ano passado, Myrella Soares abriu boletim de ocorrência pela suposta prática de transfobia ocorrida dentro da Casa de Leis. O caso está sendo apurado pela Polícia Civil e Ministério Público.
À nossa reportagem, após a cassação, Myrella relacionou o episódio de tarnsfobia como uma possível represália ao boletim de ocorrência registrado por ela.

“Nenhum tipo de violência pode ser tolerado ou normalizado, enquanto eu estiver neste plenário, seguirei combatendo qualquer prática abusiva, seguirei representando todos os tipos de mulheres e farei valer os seus direitos, os nossos direitos, pois este é o meu papel”, disse.


Sem citar nomes, a vereadora disparou indiretas a pessoas que haviam comemorado sua cassação, além de fazer um pedido aos seis parlamentares que votaram contra ela: Ricardo Prearo (PSD), Aline Prearo (Republicanos), Daniel de Madureira (PP), Paulo Crepaldi (PSB), Roni Romão (PL) e Laudenir Leonel (PL). 

“Chega de perseguição! Me deixem trabalhar em paz! Temos assuntos muito mais urgentes que merecem nosso tempo e esforço. Da minha parte, estou aqui para somar, para representar os anseios da população, estou aqui pelo povo e para o povo. Proponho portanto, que deixemos nossas diferenças de lado, que possamos aprovar os projetos uns dos outros visando o bem das pessoas. No mandato passado, a câmara alcançou a aprovação da maioria da população e precisamos resgatar isso. Ninguém precisa gostar de mim, nem me enxergar como inimiga, mas o respeito é inegociável”, finalizou Myrella.