Vereador William Cruz nega acusações da denúncia que originou a primeira CP da história política da Câmara de Boraceia
A Câmara Municipal de Boraceia aprovou, na noite desta segunda-feira (20), a abertura da primeira Comissão Processante (CP) da história do Legislativo Municipal. A comissão foi instaurada para apurar uma denúncia por suposta quebra de decoro parlamentar envolvendo o vereador William do Santos Cruz (Podemos).
A denúncia foi apresentada pelo cidadão e suplente do vereador investigado, Antônio Carlos Ribeiro de Carvalho, Professor Carlinhos, após cumprir os trâmites previstos no Regimento Interno da Câmara, com o direito da defesa prévia do vereador, a denúncia foi levada à apreciação do plenário.
Antes da votação que definiu pela abertura da CP, o vereador William Cruz utilizou os 10 minutos previstos no rito processual para apresentar sua defesa prévia. Durante o pronunciamento, ele negou qualquer envolvimento nos fatos apontados na denúncia e afirmou estar tranquilo em relação ao processo, classificando a denúncia como uma perseguição política.
Na votação, o presidente da Câmara, Márcio Martinelo e o vereador denunciado, William Cruz, não participaram, conforme determina o procedimento. O resultado foi de 5v2 votos favoráveis à abertura da CP.
Votaram a favor os vereadores Neto Boesso (PL), Jaqueline Barbaresco (Republicanos), Valdir Durães de Vasconcelos (PL), Carlos Sipione (PSD) e Cátia Bilancieri (Avante).




Foram contra a abertura do procedimento Belks Eloína (Podemos) e José Walter de Freitas (União Brasil).


Logo após a aprovação, foi realizado o sorteio dos três vereadores que irão compor a comissão responsável pela condução dos trabalhos. Foram definidos como presidente Valdir Durães de Vasconcelos (PL), relatora Belks Eloína (Podemos) e membro José Walter de Freitas (União Brasil).
De acordo com o rito estabelecido, a comissão deverá iniciar os trabalhos de investigação em até cinco dias, quando passará à fase de apuração dos fatos apresentados na denúncia.
A instauração da CP marca um momento inédito na história da Câmara Municipal de Boraceia, a cidade em 67 anos, nunca assistiu a um processo investigatório no Legislativo.
O que diz a denúncia?

Na representação protocolada em 24 de abril de 2026, Professor Carlinhos cita que William agiu “de forma agressiva e desmedida em local público e diante de um grande número de munícipes”.
“Dirigiu a mim ataques pessoais injuriosos, causando profundo constrangimento e humilhação. É necessário pontuar que tal comportamento hostil não é um fato isolado na trajetória do parlamentar, além das agressões contra a minha pessoa, é de conhecimento público que o vereador em questão já proferiu ameaças verbais inclusive contra seus pares, outros vereadores desta ilustre Casa de Leis, demonstrando um padrão de conduta incompatível com a ética e a urbanidade exigidas pelo cargo. Ressalto que, como figura pública, espera-se deste parlamentar uma postura íntegra, o que não ocorreu”.
O denunciante também alega que houve registro de boletim de ocorrência, mas o documento não cita a o conteúdo do B.O, nem mesmo a data e o local dos fatos narrados.
Nossa reportagem entrou em contato com Professor Carlinhos, mas ele não retornou nossa mensagem até o fechamento desta edição.
Vereador nega acusações
Em nota enviada ao Noticiantes, a defesa do vereador William Cruz emitiu o seguinte pronunciamento:
“O vereador vem, respeitosamente, a público esclarecer que recebeu com tranquilidade a instauração da Comissão Processante, confiando plenamente na lisura dos trabalhos e no devido processo legal. Neste momento, a atuação da defesa será pautada na apresentação dos esclarecimentos necessários, demonstrando a verdade dos fatos e a absoluta integridade da conduta do parlamentar, que sempre exerceu suas funções com responsabilidade e respeito à população. Ressalta-se que as alegações constantes na representação não refletem a realidade, razão pela qual serão devidamente contestadas no âmbito da Comissão, com a apresentação de todos os elementos que comprovam a improcedência das acusações. O vereador reforça sua confiança nas instituições e acredita que, ao final, a verdade prevalecerá, afastando qualquer dúvida quanto à idoneidade do vereador. Por fim, informa que, neste momento, não haverá manifestação além desta nota, em respeito ao andamento regular dos trabalhos.”
Nas eleições 2024, William Cruz foi eleito com 140 votos válidos (4,50%).
Próximos passos da CP
Comissão terá o prazo de 90 dias para apresentar o relatório final à Casa de Leis, seguindo os seguintes passos:
• Oitiva de testemunhas: Após a abertura da comissão inicia-se a fase de instrução com diligências, audiências e oitiva das testemunhas arroladas. Concluída a instrução, a comissão abre prazo de cinco dias para o acusado apresentar suas considerações finais por escrito;
• Relatório Final: Apresentado o relatório final, presidente, relator e membro se reúnem para apreciação da matéria. Caso o relatório seja aprovado por maioria e a denúncia que deu origem à CP seja considerada “procedente”, o Presidente da Câmara será avisado para convocar todos os vereadores para a Sessão Julgamento;
• Sessão Julgamento: É rito de caráter extraordinário, na qual todos os nove vereadores da Câmara Municipal de Boraceia votarão, de forma definitiva, a denúncia que acusa William de quebra de decoro;
• Cassação ou arquivamento: O vereador terá o mandato cassado se for declarado voto de dois terços dos membros da Câmara (seis vereadores no caso de nenhuma ausência); caso contrário, a denúncia será arquivada. Após a votação, o Presidente da Câmara comunicará à Justiça Eleitoral o resultado.















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