Estudo da Unicamp com amostras colhidas em Brotas identifica 14 agrotóxicos na chuva; duas das substâncias são proibidas no Brasil

Estudo da Unicamp com amostras colhidas em Brotas identifica 14 agrotóxicos na chuva; duas das substâncias são proibidas no Brasil

A preocupação com o uso de agrotóxicos foi a base de um estudo da Unicamp que identificou a presença de substâncias químicas até mesmo na chuva – entre elas, de dois produtos proibidos no Brasil. A pesquisa foi publicada na revista científica Chemosphere.
A pesquisa revelou que os agrotóxicos aplicados nas lavouras também se dissipam na atmosfera. Vento, temperatura e umidade influenciam nessa distribuição e as substâncias ficam condensadas em gotas de chuva, retornando ao solo e aos reservatórios de água.
Os pesquisadores analisaram a água da chuva de três cidades: Campinas, Brotas e São Paulo. O resultado de dois anos de coleta e análise e mostrou a presença de 14 tipos de agrotóxicos. Destes, dois são proibidos no Brasil: o fungicida carbendazin e o inseticida carbofurano – em território nacional devido ao impacto no sistema reprodutivo, além de também estarem ligados ao potencial cancerígeno, tanto em seres humanos quanto em organismos aquáticos.
Entre os agrotóxicos encontrados nas amostras, 10 são proibidos na União Europeia, mas liberados por no país. E quatro não têm definição no Ministério da Saúde de qual seria a concentração segura na água, segundo a pesquisa.
Os pesquisadores ressaltam que os efeitos da presença dos defensivos nocivos à saúde são cumulativos, e não vão trazer consequências imediatas. Por exemplo, se alguém tomar um copo de água da chuva, não haverá efeito. Isso pode acontecer apenas caso essa exposição ocorra ao longo de muitos anos.

O que dizem a Defesa Agropecuária e o Ministério da Saúde?

Sobre os produtos proibidos encontrados nas análises da Unicamp, a explicação da Coordenadoria de Defesa Agropecuária foi que “eles compõem defensivos agrícolas autorizados e aparecem quando se degradam na natureza”.
O Ministério da Saúde disse que a identificação dessas substâncias “reforça a necessidade de vigilância constante e práticas agrícolas mais seguras, por exemplo, restrição à pulverização aérea”.
Sobre as quatro substâncias que não têm legislação a respeito da quantidade aceitável na água, a Coordenadoria disse que estão presentes em mais de 200 produtos registrados no Brasil.
O Ministério da Saúde justificou que estados e municípios podem, “de forma proativa, monitorar substâncias com potencial de contaminação local, mesmo que não estejam previstas no padrão nacional”.