Focinho Carente encerra atendimentos veterinários e abre “vakinha” para pagar dívida de R$ 50 mil
“Com muita responsabilidade, informamos que estamos encerrando, por tempo indeterminado, os atendimentos veterinários em clínicas particulares. Chegamos a um limite financeiro, emocional e estrutural. Hoje, acumulamos mais de R$ 50.000,00 em dívidas com clínicas veterinárias, por isso não temos condições de assumir mais nada. Sempre fizemos o impossível e muitas vezes o além do possível, para garantir atendimento, dignidade e chance de vida aos animais que chegam até nós. Mas continuar nessas condições significa comprometer a nossa própria existência.” – Associação Focinho Carente
Em comunicado divulgado na última semana, A Associação Francisco de Assis Protetora dos Animais de Bariri (AFAPABI), entidade também conhecida como “Focinho Carente”, anunciou que está encerrando os atendimentos veterinários aos animais do abrigo e futuros animais resgatados. O motivo da decisão é a dívida que a entidade possui com as clínicas veterinárias locais devido aos atendimentos, que ultrapassa o valor de R$ 50 mil.
“Passando para dar um aviso triste, mas necessário. O abrigo está encerrando os atendimentos veterinários. O Focinho não tem mais a mínima condição de continuar assumindo e levando animais para atendimento em clínicas particulares. Estamos devendo R$ 50 mil nas clínicas. Não tem mais condições de socorrermos animais de rua que precisam de ajuda. Infelizmente chegamos a este ponto”, comunicou a Associação.
De acordo com Letícia Cantazini, presidente do Focinho Carente, apesar de as clínicas darem desconto para os animais do abrigo, mesmo assim a dívida acumulou por conta da alta demanda.
“Foi feita uma solicitação na prefeitura para que a administração disponibilize um espaço público e contrate um veterinário para atuar nesse local, para fazer os atendimentos, uma espécie de clínica veterinária municipal”, explicou.
Ao Poder Executivo, a entidade solicitou:
• A estruturação de um espaço público adequado para se tornar uma clínica veterinária municipal;
• E a contratação de um médico veterinário para realizar os atendimentos e castrações, garantindo uma alternativa real, contínua e responsável para os animais que precisam de socorro.
À nossa reportagem, a Prefeitura Municipal de Bariri informou que os serviços de atendimentos veterinários prestados pela entidade não fazem parte dos objetos dos convênios.
Segundo a administração, o Decreto Municipal nº. 5.146, de 2018, deu origem ao Edital de Chamamento Público (que contratou a Associação Focinho Carente), como “organização da sociedade civil interessada em celebrar termo de colaboração que tenha por objetivo promover a manutenção das atividades de abrigo de animais, além de diminuir o número de cães e gatos abandonados e eutanasiados da cidade e buscar a diminuição da ocorrência de agravos e do risco da transmissão de zoonose.”
Ou seja, de acordo com o edital, não é obrigação do Focinho Carente garantir ou custear o atendimento veterinário aos animais do vítimas de abandono e violência.
“Vamos continuar atuando só nos casos de maus-tratos (pra esses têm a verba, apesar de insuficiente)”, salientou Letícia.
A entidade abriu uma vakinha online para arrecadar fundos a fim de ajudar a sanar a dívida que possui junto às clínicas veterinárias. A meta de arrecadação é R$ 50 mil; até o fechamento desta edição, o valor já arrecadado estava em R$ 6.196,93. Contribua com qualquer valor através do link: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/ajuda-para-pagar-clinicas-veterinarias?utm_campaign=whatsapp&utm_content=5924217&utm_medium=website&utm_source=social-shares, ou se preferir, doe qualquer valor pela chave PIX: 5924217@vakinha.com.br.
“Reforçamos que não estamos nos omitindo, estamos sendo honestos. Proteger os animais também é reconhecer limites e lutar por soluções estruturais, e não apenas emergenciais. Ressaltamos, ainda, que seguimos precisando de ajuda. Continuaremos necessitando de apoio da comunidade tanto para a quitação das dívidas já existentes quanto para garantir o cuidado, a alimentação, os tratamentos básicos e o bem-estar dos mais de 280 animais que moram no abrigo. Seguimos acreditando que o cuidado com a causa animal precisa ser tratado como política pública, e não sustentado apenas por voluntários, doações instáveis e dívidas impagáveis”, finalizou a entidade.















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