Vendaval deixa rastro de destruição em Bariri e grave ocorrência de adolescentes atingidas por árvore oca acende alerta: Meio Ambiente inicia vistoria ambiental e avalia árvores condenadas, com auxílio da Defesa Civil e Infraestrutura

Vendaval deixa rastro de destruição em Bariri e grave ocorrência de adolescentes atingidas por árvore oca acende alerta: Meio Ambiente inicia vistoria ambiental e avalia árvores condenadas, com auxílio da Defesa Civil e Infraestrutura

“Prefeitura Municipal de Bariri, através das Diretorias de Infraestrutura, Agricultura e Meio Ambiente – Fiscalização Ambiental – Defesa Civil, iniciou nesta semana, em decorrência ações climáticas e fortes ventos ocorridos no município (onde houveram várias ocorrências de árvores caídas ou arrancadas, que ocasionaram acidentes), vistorias técnicas em locais públicos como praças, canteiros e locais de grande circulação de pessoas. Objetivo principal é identificar possíveis árvores que possam oferecer risco de quedas, ou que apresentem condições fitossanitárias que possam comprometer a saúde das árvores, em locais de grande movimentação ou grande concentração. Ainda na análise realizada, serão observados os quesitos quanto à necessidade de podas preventivas, substituição de árvores inadequadas aos locais considerando porte, espécie e comprometimento e fatores que possam gerar quedas e riscos.”Setor Municipal de Meio Ambiente, por meio de nota oficial.

 

Árvores caídas, prédios destelhados, muros desabados... O forte vendaval que atingiu Bariri, região e praticamente todo o estado de São Paulo deixou um rastro de destruição. De acordo com a Defesa Civil, os ventos em Bariri atingiram 83 km/h.

A mais grave ocorrência registrada sem dúvidas, ocorreu na rua Rui Barbosa, na Praça “Anita de Angelis Orefice”, em frente à Cooperativa Educacional de Bariri (Coeba). Duas alunas que saíam da unidade escolar na hora do almoço foram atingidas por uma árvore que despencou devido às fortes rajadas de vento. As estudantes, de 13 e 14 anos, ficaram presas sob os galhos da árvore de grande porte, cujo tronco estava totalmente oco.

Até a chegada do socorro, um grupo de alunos da Coeba e populares fizeram uma força-tarefa na tentativa de resgatar as vítimas. Imagens que circularam nas redes sociais mostram várias pessoas mobilizadas, tentando levantar a árvore.

Uma das estudantes sofreu deslocamento de fêmur, fraturas no braço e fissura na cabeça. A outra sofreu uma fratura no braço. Ambas foram resgatadas conscientes, mas foram internadas em um hospital particular e passaram por procedimento cirúrgico.

A ocorrência ganhou as manchetes regionais e até mesmo nacionais. O acidente com as adolescentes foi noticiado pela TV Tem e Portal G1, Jornal da Cidade, Record Paulista e até mesmo no Portal Metrópoles. Um automóvel Toyota/ Corolla Cross também foi atingido pela árvore e teve a parte traseira totalmente danificada.

Nas redes sociais, baririenses cobraram o Poder Público de ações sobre a situação das árvores na cidade, uma vez que muitas também apresentam risco eminente de queda – fator que oferece perigo à população em ocorrências de ventanias e tempestades.

“Vou deixar uma pergunta no ar para ser repensada, porque a prefeitura não faz uma pesquisa na cidade como um todo e, onde tiver essas árvores enormes com risco, retira e planta uma muda nova? Diminui consideravelmente o risco de cair em cima de pessoas, carro é dano material, mas em pessoas risco de vida. Um trabalho simples de fazer colocando uma pessoa pra identificar essas empresas árvores”, questionou um internauta.

Nossa reportagem entrou em contato com SINCLER POLICARPO, chefe do Setor de Meio Ambiente do Município de Bariri, a respeito da situação das árvores no município. Segundo ele, o departamento já iniciou uma espécie de perícia ambiental nas praças públicas e demais espaços – estudo este que vai atestar quais árvores estão condenadas.

“Justamente devido ao ocorrido e, também em atendimento ao plano municipal, nosso engenheiro agrônomo, Nassif Farah Júnior, já fez a vistoria na Praça da Matriz e vai vistoriar todas as praças do município e áreas de interesse, para que a gente possa, primeiro, avaliar o risco que as árvores possam estar apresentando, avaliar se é passível de corte, supressão, substituição, poda preventiva”, disse.

A vistoria das árvores na Praça da Matriz ocorreu na manhã de quarta-feira (24). Segundo Sincler, o trabalho apresentou indícios necessários para que o Setor de Meio Ambiente comece a agir com mais intensidade, realizando podas e retirada de galhos que podem cair, além de suprimir árvores condenadas.

“Todo esse acontecimento, essa situação do vendaval, fortes ventos, ações climáticas, levaram à necessidade de urgência de vistoria em todas as praças e locais de interesse ambiental. O trabalho já está acontecendo; estão sendo feitos os laudos que vão fornecer condições para fazer os serviços que necessitamos. É uma ação conjunta de vários setores, mas quem faz a avaliação é o nosso engenheiro agrônomo, que tem a capacidade técnica para isso. Ele avalia não só as condições fitossanitárias (que envolvem a saúde da árvore), mas também das condições de risco. Os setores parceiros envolvem também a Defesa Civil, Diretoria de Infraestrutura e Diretoria se Agricultura em uma ação conjunta, visando a proteção e os riscos para a população nesses locais públicos, que merecem a atenção necessária para evitar qualquer dano, tanto material como humano, às pessoas”, finaliza Sincler.

 

Árvores cortadas serão substituídas

Ainda de acordo com o Meio Ambiente, após identificados os casos necessários de intervenção ou até mesmo supressões (corte) das árvores, um relatório técnico será encaminhado para que seja executado, conforme recomendações.

Nos casos mais extremos, como o de supressão, haverá uma programação para interdição do local para realização dos serviços, bem como, ao final, deverá ser previsto a substituição por árvores adequadas com tamanho e porte a cada local identificado.

“O Engenheiro Agrônomo, Nassif Farah Junior, esclarece que a proposta de trabalho é identificar possíveis riscos visíveis, possíveis árvores inadequadas ao local vistoriado e identificar árvores que podem ter sido plantadas incorretamente, devido ao porte e espécie, além de assegurar, durante os trabalhos, que ações preventivas de podas e substituições façam parte de um trabalho imediato à médio prazo, que garantirá, no futuro, que fortes ventos tenham menos impacto possível – evidentemente que tratam-se de situações que podem ser imprevisíveis quando o tema é ações climáticas”, diz o setor.

Sincler Policarpo defende que o município necessita de um inventário Técnico Florestal Urbano e Plano de Arborização Urbana para identificação de locais, espécies de árvores, manejo, Plano de Supressão de árvores de porte inadequadas, de remanejamento e plantio adequado de novas árvores.

“Esse planejamento visa garantir diversos benefícios ambientais, sociais e econômicos das árvores nas cidades, como a melhoria da qualidade do ar, a mitigação das ilhas de calor, a redução da poluição sonora, o aumento da biodiversidade, a promoção da saúde física e mental da população”, finaliza a nota.

 

Voluntários da Defesa Civil atendem diversas ocorrências na cidade

A Defesa Civil de Bariri, juntamente ao Setor de Trânsito, Diretoria de Infraestrutura e Corpo de Bombeiros, atendeu ocorrências nos quatro cantos da cidade na tarde de segunda-feira (22).

Na creche Marina Budin, localizada no Núcleo Habitacional Domingos Aquilante, parte do muro externo cedeu.

Na EMEF Profª Angela Maria Prearo Fortunato (Jardim Iguatemy), houve destelhamento parcial da estrutura superior do prédio. Já na EMEF Profª Rosa Benatti (Jardim Santa Rosa), uma árvore caiu e foi recolhida pela equipe de infraestrutura / limpeza pública.

Na Avenida Perimetral Prefeito Domingos Antonio Fortunatto, a via Expressa Sul, uma árvore caiu nas proximidades do AutoAr.

Por fim, na Rua Antonio Alem (Distrito Industrial), no trevo de acesso à primeira entrada da cidade, no sentido Jaú-Bariri, uma árvore também caiu em frente à Becflex.

Em nota enviada à nossa reportagem, a Defesa Civil comentou o trabalho realizado nesta semana.

“No início da tarde do dia 22 de setembro, devido aos fortes ventos que atingiram Bariri e região, a Equipe de Proteção e Defesa Civil foi acionada, juntamente com o Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e setor de ambulâncias, para deslocamento até a praça da Escola Coeba, atendendo a uma ocorrência de queda de árvore de grande porte, a qual atingiu duas alunas que saiam da escola no momento do ocorrido. Após o resgate e encaminhamento das alunas ao pronto atendimento da Santa Casa, a Defesa Civil deu prosseguimento às ocorrências no município, sendo elas um destelhamento parcial da cobertura da EMEF Profª. Angela Maria Prearo Fortunato, uma queda parcial do muro de fechamento da creche Marina Budin, uma árvore de médio porte caída na avenida Prefeito Domingos Antônio Fortunato obstruindo a via, sendo estas sem vítimas”, diz o órgão.

A Defesa Civil de Bariri tem CLAUDENIR RODRIGUES “FREDY” como coordenador municipal, e BRUNO RICARDO PEGORIN como coordenador adjunto.

O trabalho que ambos exercem no município é voluntário. Atualmente, a Defesa Civil local conta com uma viatura, além de um barco e um motor que foram doados pela Polícia Militar Ambiental de Ibitinga, para que o órgão possa auxiliar em resgates aquáticos junto ao Corpo de Bombeiros.

O órgão reforçou que também presta assistência ao Meio Ambiente no trabalho de vistoria que visa identificar as árvores condenadas no município, além de dar suporte ao Corpo de Bombeiros em inúmeras situações.

“A Defesa Civil, em parceria com o setor de Agricultura e Meio Ambiente e setor de Infraestrutura, segue analisando demais árvores do município que oferecem risco de queda, visando a segurança da população. Em auxílio ao Corpo de Bombeiros vinha atendendo ocorrências de fogo em mato devido ao grande período de estiagem e agora começa a atender ocorrências relacionadas a fortes ventos e chuvas, ocorrências típicas da fase climática que se inicia. Além disso, a Proteção e Defesa Civil de Bariri segue em sintonia com a Auren (antiga AES), participando de reuniões trimestrais sobre o PAE (Plano de Ação de Emergência), com ênfase no fortalecimento da comunicação, manutenção preventiva das sirenes e realização de simulados de emergência. Foram revisados cenários de risco da barragem, analisada a mancha de inundação e discutida a importância de manter inspeções regulares, sinalização adequada e treinamentos com a comunidade”.