Mesa Diretora e Conselho Fiscal da Santa Casa de Jaú renunciam e preveem rombo de R$ 22 milhões até o final do ano

Mesa Diretora e Conselho Fiscal da Santa Casa de Jaú renunciam e preveem rombo de R$ 22 milhões até o final do ano

“Estamos em déficit e cada vez aumenta mais. Minha opinião seria melhor o Estado vir tocar. Hospital não se toca só com conversa, precisa de dinheiro. Estou cansado de ouvir que sou ladrão; que tem que ter auditoria. Da minha parte, é irreversível. Vou renunciar.” - Alcides Bernardi Júnior, Provedor da Santa Casa de Jaú.

A mesa diretora e o conselho fiscal da Santa Casa de Jaú anunciaram, na última semana, a renúncia coletiva dos cargos. O anúncio foi ratificado durante entrevista coletiva ocorrida na manhã de segunda-feira (01). Segundo os membros, a decisão foi motivada pela crise financeira enfrentada pelo hospital e pelo esgotamento das tentativas de reverter o déficit.

A gestão atual permaneceu até quinta-feira (04). Agora, foi aberto um processo eleitoral para formação de uma nova chapa, com prazo de inscrição até 13 de setembro. Caso não haja interessados, a Prefeitura Municipal deverá assumir a administração temporariamente, podendo depois repassá-la ao Governo do Estado, que poderá designar uma Organização da Sociedade Civil (OSC) para a gestão.

Apesar da instabilidade, o provedor Alcides Bernardi Junior afirmou que os atendimentos não serão afetados.

“Não há motivo para pânico, porque não vai fechar um hospital com quase 300 leitos, atendendo toda a população de Jaú e mais 11 municípios da região. O pronto-socorro continua, os atendimentos continuam, acontecerá apenas uma mudança na gestão”, disse.

Planilha apresentada na coletiva revelou que o déficit financeiro da Santa Casa, que era de R$ 10,7 milhões em 2023, caiu para R$ 4,1 milhões em 2024, mas, neste ano, até junho, já chega a R$ 10,4 milhões, com estimativa de que ultrapasse R$ 22 milhões até o fim do ano.

A Santa Casa de Jaú possui 1.445 funcionários no total. Deste número, 222 atuam no Pronto-Socorro (PS), custeado pela Prefeitura. A diretoria alega que o repasse municipal, de R$ 3 milhões por mês para o PS, é insuficiente diante do volume de atendimentos, da alta de insumos e da folha de pagamento.

“A receita que entra não cobre o custo do hospital, porque todo ano temos reajuste e dissídio coletivo dos funcionários, e essa receita fixa não acompanha. Fizemos reuniões com o governo federal e estadual, mas ainda não há perspectiva de aumento do teto repassado”, explicou a gerente administrativa, Scila Carreteiro.

A Santa Casa atende Jaú e outros 11 municípios da região, conta com mais de 1.400 funcionários e possui 280 leitos, sendo 190 destinados ao SUS e 90 a convênios e particulares. O pronto-socorro da unidade, que funciona sem necessidade de encaminhamento, é custeado exclusivamente pela Prefeitura de Jaú.

Quem renunciou?

A renúncia alcança toda a Mesa Administrativa (mandato 2023–2026):

Provedor: Alcides Bernardi Júnior

Vice-Provedor: Antônio Ângelo Rossi

1º Secretário: Dr. Carlos Roberto Guermandi Filho

2º Secretário: Dr. João Pacheco Galvão de França

1º Tesoureiro: Adhemar Galvanini

2º Tesoureiro: Adilson de Carvalho.

 

O que diz a Prefeitura de Jaú?

Em nota enviada à imprensa, a Prefeitura Municipal de Jaú ratificou que detém responsabilidade apenas em relação ao pronto-socorro do hospital:

“A Administração Municipal esclarece que, por meio de convênio, é responsável pelo custeio do Pronto-Socorro da Santa Casa, setor que, recentemente, passou por obras de reforma e ampliação custeadas pela Prefeitura. As demais áreas do Hospital permanecem sob responsabilidade do Governo do Estado e do Governo Federal. Reforçamos que todos os compromissos assumidos pela Prefeitura de Jahu com a Santa Casa encontram-se rigorosamente em dia. O Poder Público Municipal segue acompanhando de perto a situação e informa que quaisquer atualizações relacionadas ao sistema de saúde do Município serão divulgadas, como de costume, exclusivamente pelos canais oficiais da Prefeitura de Jahu”.