Polêmicas marcam sessão camarária em Itapuí: Mecha pede a cassação de Juliano Maia, que rebate acusações do vice-prefeito e acusa Comissão de Ética de parcialidade

Polêmicas marcam sessão camarária em Itapuí: Mecha pede a cassação de Juliano Maia, que rebate acusações do vice-prefeito e acusa Comissão de Ética de parcialidade

A sessão desta segunda-feira (18), da Câmara Municipal de Itapuí tratou de assuntos polêmicos. Fazendo o uso da Tribuna, o vereador Juliano Maia (MDB) comentou a denúncia protocolada pelo vice-prefeito, Gilmar Sabino Belchior “Mecha” (Podemos), defendendo-se das acusações.
Em 09 de junho de 2025, Mecha enviou à Câmara Municipal de Itapuí um documento intitulado “Requerimento de Instauração de Processo Disciplinar por Quebra de Decoro Parlamentar”, contra o vereador Juliano Maia.

A petição alega que o vice-prefeito registrou Boletim de Ocorrência na Delegacia de Polícia Judiciária de Jaú, relatando que, no dia 08 de junho de 2025, por volta das 21h, encontrava-se em estabelecimento comercial localizado na Rua José Antônio, centro da cidade, quando supostamente teria sido abordado por Juliano de forma “agressiva, ofensiva e desrespeitosa”. 
Segundo o relato contido no registro policial, Mecha alega que o vereador teria proferido palavras ofensivas como: “imprestável”, “inútil”, “ignorante” e corrupto, em tom de ameaça e constrangimento público. 


“Apontando o dedo para o rosto da vítima, o parlamentar fez ainda insinuações pessoais com o intuito de humilhar intimidar, demonstrando comportamento incompatível com o decoro exigido pelo exercício do mandato legislativo. A vítima declarou que não é a primeira vez que sofre esse tipo de abordagem, havendo histórico de perseguição. As ofensas ocorreram na presença de testemunhas e câmeras de segurança, cujas imagens foram solicitadas para instruir o procedimento investigatório”, diz a representação de Mecha.


Ao final da petição, o vice-prefeito arrola três testemunhas que teriam presenciado a cena: Luciano Martins; Fernando Aparecido de Almeida “Ferpa”; e Carlos Jacinto. Mecha pede que o Presidente da Câmara, Valdir Donizete Castanho, o Cavera (PSD), submeta à denúncia à Comissão de Ética e Decoro Parlamentar, noticiando ainda a Prefeitura de Itapuí e o estabelecimento “La Praça” para fornecimento das imagens das câmeras de segurança e monitoramento referentes à noite do fato.  
A Comissão de Ética da Câmara Municipal de Itapuí tem José Roberto Gonçalves Meira “Bertinho” como presidente, além dos membros Antonio Carlos Masseto Areas e Oberlei Fábio da Silvia.

O conselho se reuniu em 15 de agosto e, de forma unânime, deu prosseguimento à denúncia de Mecha, que deve agora ser submetida ao Plenário para votação de abertura de Comissão Processante (CP). 

“Fui informado que a Comissão de Ética deu andamento, mesmo com as imagens e com o B.O. no qual a narrativa não condiz. O vice-prefeito estava em uma mesa com o Lopinho. Chegamos até a mesa e conversamos. No dia seguinte, o vice-prefeito faz um B.O. Muito me estranha aquela narrativa, de que eu cheguei alterado no bar; apontei o dedo na cara dele; o abordei com agressividade e proferi palavras de baixo calão e de humilhação pública. Deixo bem claro que o vice-prefeito não tem nenhum problema na Justiça em relação a vida pública dele. Então, ele não é corrupto. Chamar alguém de ‘imprestável’, ‘inútil’ e ‘incompetente’ não é crime. Eu não falei isso, mas se tivesse falado é uma opinião, não um crime. Quem me conhece sabe que essas palavras não fazem parte do meu vocabulário. Um vídeo no qual em nenhum momento converso com o vice; em nenhum momento gesticulo um ato a ele. Onde as imagens mostram que eu ofendi o vice-prefeito? O B.O. foi aberto por injúria e difamação; nem consta agressão. Por que a Comissão não arrolou a minha testemunha que estava do lado? Só as testemunhas do vice-prefeito foram arroladas. Cadê as ofensas no vídeo? Onde vocês provam que eu xinguei?”, questionou Juliano.

 

“Comissão de Ética não se baseou em leis está recebendo ordens”, diz Juliano

Questionado por nossa reportagem sobre a decisão da Comissão de Ética da Câmara de Bariri, Juliano Maia novamente colocou em xeque o julgamento que Bertinho, Carlinhos e Oberlei fizeram do caso. O vereador enviou a seguinte nota:

“Em relação à Comissão de Ética, é até engraçado porque eu não consegui entender a decisão deles. Eles têm um vídeo; têm o B.O.; eles leram o B.O. e viram que a narrativa do boletim de ocorrência não condiz com a realidade do vídeo. A comissão deduziu o que eles acham certo ou errado, não baseado em lei. Eles não me enquadraram em nenhum artigo da resolução da Comissão de Ética, porque não tem nada que me condena, muito pelo contrário, não tem agressão. Não tem nada que prove que eu ofendi o vice – sendo que eu não converso com vice. Desde o começo, quem está discutindo, falando e articulando era o Luciano. Eu, lógico, quando rebatia, também gesticulava – coisa natural de uma conversa; ninguém fala com as mãos amarradas. A comissão fala que eu ofendi o vice; que isso não condiz com atitude de um vereador. Na denúncia, o vice citou várias tipos de ofensas. Qual foi a ordens dessas ofensas? A comissão fala que eu ofendi; mas não tem áudio!  Como eles conseguem provar que eu ofendi? Por que a minha fala não tem valor para a comissão e as testemunhas deles tem valor? A Comissão de Ética é completamente parcial; o interesse deles é político; não têm nada a ver em fazer Justiça. Minha preocupação é essa: a Comissão de Ética não está preocupada em fazer o certo; os membros estão preocupado com a política e sofrendo pressão para fazer isso. A comissão está recebendo ordens”.

 

Confusão no hospital

Rita Xavier (PL), através de requerimento verbal, solicitou à Diretoria Municipal de Saúde explicações sobre um suposto fato ocorrido no último sábado (16), no Hospital São José de Itapuí. Rita pediu também cópias das câmeras de segurança do hospital no dia do suposto fato, além de registro dos atendimentos hospitalares.


No último final de semana, as redes sociais de Itapuí foram tomadas por questionamentos de munícipes sobre o suposto episódio ocorrido no hospital, envolvendo uma vereadora, que em estado alterado de embriaguez, teria proferido ofensas contra a equipe hospitalar e até mesmo mordido um funcionário. 
Sem citar nomes, a página de Facebok “Portal da Verdade” publicou a seguinte nota: 

“Na noite de 16/08 a vereadora de Itapuí deu entrada no hospital municipal alegando uma torção no tornozelo. Visivelmente alterada pelo excesso de bebida alcoólica, passou a ofender funcionários e pacientes, afirmando que o hospital era ‘uma merda’.Em determinado momento, dirigiu-se de forma agressiva à médica responsável pelo atendimento, questionando ‘quem ela era’ e desrespeitando a profissional. Segundo relatos, a situação saiu do controle quando a vereadora foi conduzida à maca: ela teria exposto suas partes íntimas de maneira inapropriada, alegando que deveriam ser examinadas. Mais tarde, durante o procedimento de raio-x, mordeu o ombro de um funcionário. A confusão gerou grande constrangimento e tumulto no hospital, exigindo intervenção imediata da equipe de segurança”.

Ao fazer o requerimento, Rita Xavier afirmou que não é a suposta vereadora mencionada nos rumores. Além de Rita, a Câmara de Itapuí também tem uma segunda mulher em sua atual legislatura: trata-se da vereadora Gabriela Naiara Dalossi (Podemos), a Gabi da Saúde.
Gabriela não mencionou o ocorrido durante a sessão desta semana, mas publicou uma nota em suas redes sociais.

“Itapuí me conhece. Vocês sabem da minha caminhada, sempre guiada pelo respeito, pela fé e pelo amor à nossa cidade. Nos últimos dias, surgiram palavras que tentam me ferir e distorcer o que construí com tanto esforço. Para resguardar minha verdade e cumprir meu dever como cidadã, registrei um boletim de ocorrência. Faço isso de cabeça erguida e coração tranquilo, porque acredito que o bem sempre vence e que a verdade nunca se esconde. Sigo firme, com fé, serenidade e dedicação, para continuar cuidando de cada um de vocês e da nossa Itapuí”, escreveu a vereadora.