Gilson nega perseguição contra mulheres; vereador é alvo de representação movida por coordenadora exonerada do Polo Univesp Bariri

Gilson nega perseguição contra mulheres; vereador é alvo de representação movida por coordenadora exonerada do Polo Univesp Bariri

“Quanto as alegações relativas a supostas perseguições contra funcionárias da municipalidade, essas também não prosperam, já houve registros anteriores de Boletim de Ocorrência por algumas senhoras no passado, todos efetivamente arquivados, por diversas autoridades diferentes, o que causa estranheza que tais situações venham à tona novamente justamente nesse momento, narrando situações já arquivadas pelas autoridades competentes.  Nunca houve qualquer perseguição pessoal, agressiva e de gênero contra estas funcionárias, estou de consciência tranquila quanto a isso e provarei minha inocência.  O que me causa maior estranheza é justamente a tentativa de calar com tanto empenho um vereador eleito de forma legítima, que usou seu cargo para dar voz a denúncias de munícipes de Bariri, o que é a essência do cargo que atualmente exerço. A conduta de tentar me retirar do cargo por este motivo é calar não só a mim, mas a população baririense.  No momento em que um vereador está sujeito a perda de seu cargo, como é meu caso hoje, meramente por trazer uma denúncia de um popular para que fosse apurada, dá-se por destruída toda a segurança e empenho da Câmara em exercer suas funções. A população ficará silenciada, sem voz para requerer que seus direitos sejam assegurados, que o serviço público seja satisfatório e que fatos sejam apurados. O sindicato é um instrumento de luta coletiva que tem de ser valorizado e fortalecido com a associação dos trabalhadores que têm o direito de votar para escolher a direção, a pauta de reivindicações e as lutas que precisam ser feitas para conseguir melhores condições de trabalho, renda e benefícios.” – Gilson de Souza Carvalho (PSB), vereador e Presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais. 

 

Além da abertura de Comissão Processante que investiga quebra de decoro parlamentar – devido a uma fala que relacionou a morte de um bebê recém-nascido na Santa Casa com a suposta falta de oxigênio na maternidade – Gilson de Souza Carvalho (PSB) enfrenta mais um processo nestes primeiros meses de mandato legislativo.
Na última semana, o Promotor de Justiça dr. Nelson Aparecido Febraio Junior, despachou via ofício, uma representação movida pela professora Dayane Marci Fonseca da Silva, ex-orientadora da Univesp (Polo Bariri), que acusa Gilson de perseguição. Dayane foi exonerada de seu cargo na Univesp logo no início da administração Airton Pegoraro (Avante), fato que relaciona diretamente com a suposta perseguição cometida por Gilson contra sua pessoa.
Dayane alegou à promotoria que, por conta da perseguição, desenvolveu depressão e necessidade de medicação controlada. Ela juntou ao processo documentos médicos que comprovam as alegações.
A peça jurídica é composta pelo depoimento de nove mulheres, servidoras municipais e ocupantes de diversos cargos públicos, que acusam Gilson de ter uma postura agressiva. Além de Dayane, prestaram depoimento as seguintes testemunhas:  

•    Cinira Moreira Giacone Mazotti: A atual Diretora de Educação disse que foi procurado por Gilson em janeiro, ocasião em que ele teria indicado o nome de uma professora para ocupar o cargo Dayane Marci Fonseca da Silva na Univesp.

•    Angela Devides: A Servidora Municipal da Saúde declarou que ouviu Gilson dizer na prefeitura que Dayane fraldava vestibulares da universidade e colocava na instituição quem ela queria. 

•    Ana Fabiola Fanton: Diretora de educação infantil, que atuou como Diretora Municipal de Educação nos anos de 2019 e 2020, afirma que Gilson a procurou e pediu que ela exonerasse Dayane do cargo. 

•    Stéfani Edwirgem da Silva Borges: Ex-diretora de Educação do governo Abelardo-Foloni  relatou que Gilson sempre chegava em locais onde só trabalhavam mulheres de forma truculenta para “pedir coisas sem nenhum nexo”. Também disse que Gilson solicitou que ela exonerasse Dayane do cargo.  

•    Fernanda Cavalheiro Rossi: Ex-diretora de Administração do governo Abelardo-Foloni, disse que as funcionárias mulheres da prefeitura tinham medo de atender Gilson, que supostamente se portava de forma intimidadora, gritando e sempre se alterando com as servidoras. Relembrou o caso do “porta-malas”, dizendo que Gilson a acusou de peculato por supostamente desviar arquivos da prefeitura quando não era servidora municipal, negando o suposto crime. 

•    Lucilene Valéria da Silva Grigolin: Diretora de educação infantil, contou que Gilson chegava na unidade escolar onde trabalha de forma muito grosseira e desrespeitosa. Afirmou que sentia medo das supostas intimidações. 

•    Marina Prearo: Gestora da Santa Cassa, declarou que Gilson propagou que iria tirar ela do cargo após ganhar a eleição para vereador. Que ele alegava falhas da Santa Casa sem nunca comprovar nada. Que Gilson a viu entrando no gabinete do ex-prefeito para levar documentos e passou a afirmar que ela estaria tendo uma relação extraconjugal, fato que causou a ela danos emocionais.  

•    Betariz Ocon Ferreira: A ex-servidora municipal disse que Gilson a perseguiu durante anos. Que ele a expôs após ela ter adotado uma criança, dizendo que por conta da adoção, ela não teria direito à licença maternidade.

•    Ana Lucia Barbosa Pacheco: Procuradora Jurídica do Saemba, afirmou que foi confrontada por Gilson por uma orientação jurídica dada à autarquia. Que deu pareceres contrário ao interesse dele, fato que acarretou uma perseguição. Que ele constantemente tenta intimidar o superintendente do Saemba para prejudicar ela.

Também participaram das oitivas o prefeito Airton Pegoraro e o marido de Dayane, Daniel da Silva. Pegoraro alegou que Gilson o procurou após a posse e “pediu expressamente para exonerar Dayane do cargo”, apresentando argumentos de questões salariais. Declarou que as mudanças da administração da Univesp “se basearam em critério técnicos e políticos”.
Já Daniel Silva disse que teve uma reunião com o prefeito para entender os motivos da exoneração de sua esposa. Que o prefeito teria cedido ao pedido de exoneração para “evitar enfraquecimento de apoio na câmara”.
Pedindo providências, Dr. Nelson despachou cópia do ofício ao Prefeito Municipal, ao Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bariri, à Casa da Mulher de Bariri, à Ordem dos Advogados do Brasil, ao Presidente da Câmara Municipal e ao Delegado de Polícia Civil.