Caso Claudia Lobo: acusados pelo assassinato e ocultação de cadáver da secretária executiva da Apae Bauru irão a júri popular

Caso Claudia Lobo: acusados pelo assassinato e ocultação de cadáver da secretária executiva da Apae Bauru irão a júri popular

O juiz Fábio Correia Bonini, da 4ª Vara Criminal de Bauru, determinou que os réus Roberto Franceschetti Filho e Dilomar Batista sejam submetidos a júri popular pela morte de Claudia Regina da Rocha Lobo, 55 anos, secretária-executiva da Apae Bauru. A informação foi dada em primeira mão pelo jornalista Bruno Freitas, do Jornal da Cidade.
Preso desde 15 de agosto, Franceschetti Filho, presidente da entidade à época, foi indiciado pela Polícia Civil por homicídio triplamente qualificado: por motivo torpe, por traição (uma vez que criou uma história para atraí-la e depois tirar a vida dela), e por tentar ocultar outro crime (possíveis desvios financeiros na entidade). Ele responde ainda por ocultação de cadáver e fraude processual.
Atualmente, está preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) 2 de Guarulhos. Roberto jamais confessou os crimes pelos quais é acusado. Sua defesa sustenta inocência e que a vítima, na verdade, está desaparecida.
Já o ex-funcionário do almoxarifado da Apae de Bauru, Dilomar Batista, é réu por ocultação de cadáver e fraude processual. Ele responde em liberdade.


A partir da decisão da 4.ª Vara Criminal, passa a correr prazo para que as defesas e o MP possam recorrer. Encerrando todo o trâmite, o processo segue para a 1.ª Vara Criminal, onde ocorre o Tribunal do Júri. A data do plenário, então, será marcada.

Assassinato

Em coletiva de imprensa realizada no dia 26 de agosto de 2024, a polícia confirmou que Cláudia Lobo foi assassinada por Roberto Franceschetti Filho. Porém o corpo da secretária ainda não foi localizado. Cláudia foi morta com um único tiro disparado pelo ex-presidente da Apae dentro do carro da entidade, antes de o veículo ser abandonado na região do bairro Vila Dutra.
Imagens de uma câmera de segurança mostram o presidente saindo do banco de passageiro e assumindo o volante, enquanto Cláudia vai para o banco traseiro. O carro permaneceu estacionado por três minutos, momento em que, segundo a Polícia, Roberto disparou contra Cláudia.
Após o crime, Roberto teria acionado Dilomar Batista, então funcionário do almoxarifado da Apae, a quem ameaçou para que ajudasse no descarte do corpo. Dilomar foi ouvido pela polícia e confessou ter ajudado a queimar o corpo de Cláudia sob ameaça de Roberto.
O funcionário relatou que o corpo foi incinerado em uma área de descarte usada esporadicamente pela Apae e, quatro dias depois, ele retornou ao local para espalhar as cinzas em áreas de mata ao redor. No dia do crime, Dilomar assumiu o veículo que Cláudia dirigia e o abandonou na região da Vila Dutra, de onde ele e Roberto partiram em outro veículo da instituição.
Ainda não há confirmação de que os vestígios de ossos encontrados no local indicado por Dilomar, onde Cláudia foi carbonizada, sejam realmente da funcionária. O material segue em análise no Núcleo de Biologia e Bioquímica da Polícia Científica de São Paulo.
A investigação aponta má gestão, desvio de verbas e disputa de poder na Apae como possíveis motivações para o crime.